O volume de vendas no varejo amazonense registrou queda de 0,2% em janeiro na comparação com o mesmo período do ano passado. Com esse resultado, o Estado aparece, de acordo com o levantamento divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), como o segundo pior índice de volume de vendas no país, atrás apenas do Rio Grande do Norte, que apresentou retração de 1,2%.
Além dos fatores sazonais que marcam o início do ano, a incerteza na manutenção dos empregos no comércio pode ter afetado o nível de consumo no Amazonas.
“Percebemos uma insegurança quanto à efetivação dos funcionários temporários contratados para o Natal e o Ano Novo pelo comércio. Isso pode ter feito com que os consumidores, especialmente os afetados pela dependência da contratação tenham evitado gastos em janeiro”, avaliou o titular do SRTE-AM (Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Amazonas),Dermilson Chagas, lembrando que a contratação de pelo menos 50% dos temporários aguardada pelas entidades do comércio não ocorreu.
Segundo dados repassados pelo Sindicato dos Empregados no Comércio do Amazonas, também entre os empregados efetivos houve demissão. Só em janeiro a entidade registrou uma média de 1.100 desligamentos de sindicalizados -empregados com carteira assinada há mais de um ano.
O vice-presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Francisco de Assis Mourão Junior, explica que pode ter havido um evento cíclico no início do ano. “A queda nas vendas refletiu em demissões e o medo das demissões reflete em novas quedas nas vendas”, avaliou.
Outros fatores
O índice alto de consumo em dezembro e as contas do início do ano também podem ter influenciado o resultado, segundo o economista. de acordo com o IBGE, o aumento no volume de vendas em dezembro foi de 3,7%, enquanto a receita nominal variou positivamente em 7,6%. “Esses excessos comuns ao consumidor nessa época do ano também acabam freando o consumo do mês seguinte”, acrescentou.
O vice-presidente da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, destacou ainda o período de chuvas e as férias escolares. “A chuva inibe o consumo e o período de férias esvazia a cidade, mas houve sim uma queda acentuada em todos os setores. Os lojistas têm reclamado”.
Em contrapartida, ainda segundo o levantamento, a receita nominal de vendas apresentou crescimento de 3,0% em relação a janeiro do ano passado.
O disseminador de informações do IBGE-AM, Adjalma Jaques, aviliou que ainda é muito cedo para se prever qualquer cenário. “É necessário aguardar os próximos meses para traçar uma melhor avaliação do que pode ou vai acontecer com o comércio local em 2012”, finalizou.







