Obra de Aeroporto avança mais do que projetos da Copa

Em: 3 de abril de 2012
As obras de ampliação do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes para a Copa de 2014 receberam, na manhã de ontem a visita da Comissão de Transportes da ALE
As obras de ampliação do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes para a Copa de 2014 receberam, na manhã de ontem a visita da Comissão de Transportes da ALE

As obras de ampliação do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes para a Copa de 2014 receberam, na manhã de ontem a visita da Comissão de Transportes da ALE (Assembleia Legislativa do Estado). A ação é resultado da audiência pública, presidida pelo deputado Sidney Leite (DEM), no último dia 21 de março. Além de Leite, participaram da visita de inspeção os deputados Marcelo Ramos (PSB), Marcos Rotta (PMDB) e Tony Medeiros (PSL).
Segundo o superintendente da Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária), Rubem Ferreira de Lima, com 5% dos trabalhos concluídos a obra está dentro do cronograma. Orçada em R$ 344 milhões, ela pretende aumentar a atual capacidade do terminal de passageiros de 4,2 milhões/ano para até 13,5 milhões/ano. A previsão é de que, até o fim deste ano, 50% das obras sejam concluídos e que em dezembro de 2013 o novo terminal de passageiros seja entregue à população de Manaus.
Já com relação ao Terminal de Cargas, o superintendente garantiu que Manaus trabalha com apenas 25% da capacidade, já que o terminal opera 4 mil toneladas por mês, enquanto a capacidade pode chagar a 12 mil toneladas mensais.
O presidente da Comissão de Transportes da Assembleia, deputado Marcelo Ramos (PSB), saiu da visita satisfeito com o andamento dos trabalhos no Aeroporto Eduardo Gomes, mas mostrou preocupação com relação às outras obras de infraestrutura previstas para a realização da Copa de 2014 na capital amazonense. Segundo ele, o torneio é menos importante pelo aspecto esportivo e muito mais importante pelo legado urbanístico e social que pode deixar para a cidade. “De todas as obras de infraestrutura previstas como legado do evento em Manaus só anda a obra da Arena, com algum atraso, e a obra do aeroporto. Nós não demos passo nenhum ainda em relação à reordenação do centro histórico de Manaus, em relação ao transporte urbano, monotrilho, BRT… e isso é algo temerário porque pode restar somente o aeroporto, que efetivamente é uma obra importante, mais um grande elefante branco, que é a Arena e uma grande dívida para o povo do Amazonas pagar”.

Mais capacidade

Segundo informações da Infraero, depois de concluída a reforma, a área do terminal de passageiros passará de 39,48 mil m² para 166,8 mil m². O estacionamento, que hoje conta com 772 vagas, passará a ter 2.670 vagas. Serão dois níveis no prédio – um de embarque e outro de desembarque, três escadas rolantes, 16 elevadores e 166 banheiros. As esteiras de bagagem passarão de quatro para onze. Com a reforma, o aeroporto terá capacidade de atender a população de Manaus até 2025.

Monotrilho: sai ou não sai?

Numa crítica ao atraso nas obras do monotrilho, Marcelo Ramos afirmou que o andamento das obras do aeroporto demonstra que é possível cumprir o cronograma exigido pela Fifa, desde que haja vontade política e pulso forte por parte dos órgãos fiscalizadores. Segundo o parlamentar, a 36 meses da abertura da Copa do Mundo é impossível falar em cronograma para as obras do monotrilho, uma vez que o projeto previa um prazo de 40 meses de execução mais seis meses de testes.
O deputado também criticou o coordenador da Unidade Gestora da Copa, Miguel Capobiango.
De acordo com Ramos, desde que o gestor assumiu nenhuma obra andou, exceto a Arena, que não é de competência da Unidade: “O coordenador da Unidade Gestora da Copa tem uma péssima relação com a Comissão de Transportes da Assembleia. Ele não atende aos chamados da Comissão porque as ações dele são de absoluta incompetência. Por isso, eu entendo a má vontade dele. A gente tem muita dificuldade no acompanhamento dessas obras”, afirmou.
Ele explicou que a Comissão tem acompanhado o andamento dos trabalhos do monotrilho através de um grupo de trabalho do Ministério Público Federal – ao afirmar que a obra não vai sair do papel –, por relatórios gerados pelo Ministério do Esporte e pelo tribunal de Contas da União.
Já Marcos Rotta explicou que a demora na construção do monotrilho se deve ao cuidado do governo do Estado em respeitar todos os órgãos e segmentos envolvidos. Na opinião de Rotta, não há outra alternativa para eliminar o caos e a falência do transporte público convencional: “O governador do Estado já declarou que vai fazer o monotrilho. E eu tenho certeza de que ele haverá de eliminar todos os problemas jurídicos inclusive, todos os empecilhos legais para que ele possa atender uma grande demanda da cidade de Manaus que é o transporte público”, defendeu Rotta.
O coordenador da Unidade Gestora da Copa, Miguel Capobiango, preferiu não responder às acusações de Marcelo Ramos, mas garantiu ao Jornal do Commercio que a ordem de serviço para a construção do monotrilho foi emitida pela Seinfra (Secretaria de Estado de InfraEstrutura) no último dia 18 de janeiro. Segundo Capobiango, o Comitê Gestor vem trabalhando em parceria com a Seinfra no Plano Executivo do Monotrilho, para verificar as possíveis interferências nos serviços de fornecimento de energia elétrica, água e telefone por onde a obra vai passar.
Ele garantiu ainda que em condições normais, a previsão para o início dos trabalhos é entre os meses de maio e junho deste ano.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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