Medidas para minimizar a concorrência com os produtos importados, aumentar a competitividade, além de uma maior inclusão do Amazonas nas vantagens estabelecidas pelo plano Brasil Maior 2, anunciado na semana passada, são alguns dos apelos a serem reivindicados nesta sexta-feira pelo setor industrial do Estado.
O movimento, intitulado “Grito de Alerta”, que pretende chamar a atenção do governo federal para o processo de desindustrialização sofrido pelo segmento chega a Manaus, após passar por outras cinco cidades brasileiras.
A expectativa dos sindicatos (laborais e patronais) é reunir no Centro Cultural dos Povos da Amazônia -antiga Bola da Suframa- 20 mil trabalhadores do PIM além de representantes do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas) e Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas).
“Cada um dos Estados envolvidos já teve suas reivindicações anotadas, mas sentimos a necessidade de incluir Manaus por achar que a região mereça um olhar especial e mais atento”, enfatizou o presidente da CNM-CUT (Confederação Nacional dos Metalúrgicos da Central Única dos Trabalhadores), Paulo Cayres.
A preocupação com a desindustrialização está apoiada em números. Dados mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que em fevereiro o Amazonas apresentou queda de 8,3% na produção industrial, a segunda pior do país, perdendo apenas para o Rio de Janeiro, que obteve queda de 9%. O Estado já acumula recuo de 3,3% em 2012. No resto do país a situação é a mesma com queda de 3,9% em fevereiro e 3,4% no acumulado.
Por esse motivo, segundo o presidente do Cieam, Wilson Périco, a intenção do ato é reunir todas as partes envolvidas. “Não se trata de proteger o investimento do empresário e sim a riqueza que gera emprego para a região. Essa é a real ameaça”, destacou.
Proteção de empregos é meta maior
Paulo Cayres aponta a proteção dos empregos da indústria como o fator que impulsionou a realização do ato. “O principal objetivo é impedir que a geração de postos de trabalho seja ainda mais atingida pela importação de produtos acabados ou pela falta de medidas regionalizadas de incentivo”, avaliou.
O presidente da Aficam (Associação das Indústrias e Empresas de Serviços do Polo Industrial do Amazonas), Cristóvão Marques, lembra que o faturamento recorde de US$ 41 bilhões, segundo dados da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) não tem significado na prática, isso porque “embora o crescimento global seja alto, os empregos e a arrecadação estadual não param de cair”, criticou.
Até a metade de março, o Sindmetal-AM (Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas), já havia homologado 4.535 demissões, quase 50% a mais na comparação com o primeiro trimestre do ano passado.
Embora não tenha fechado os números, o presidente do órgão, Waldemir Santana, projeta um total aproximado de 7 mil demissões no primeiro trimestre deste ano, “principalmente no polo de duas rodas e de ar condicionados. Isso é muito preocupante”, constatou.
Elevação do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre a importação de produtos importados similares aos fabricados no PIM já é uma reivindicação antiga do setor no Estado, “Isso nos garantiria uma sobrevida até que uma política industrial regionalizada fosse estruturada”, observou Wilson Périco.
Ele apontou ainda a opção por um processo de redução de carga tibutária que verificasse as diferenças de cada região.
A ampliação de incentivos para produtos da linha branca -condicionadores de ar, geladeiras, fogões- e um espaço mais amplo dentro do plano Brasil Maior também figuram entre os pedidos. “As medidas do Brasil maior não atinge nem 5% do que é produzido aqui. Precisamos ampliar os efeitos para a nossa região”, opinou Waldemir Santana.
Após a finalização dos atos programados em vários Estados, os representantes do setor e das centrais sindicais devem ir a Brasília n dia 10 de maio para a entrega de um documento oficial com as reivindicações à presidente Dilma Rousseff.







