Pior resultado no Estado desde 2009

Em: 17 de abril de 2012
Confirmando as expectativas de representantes do comércio e da indústria, a desaceleração na economia e na produção industrial refletiu diretamente na mão de obra empregada no Amazonas neste primeiro trimestre
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Confirmando as expectativas de representantes do comércio e da indústria, a desaceleração na economia e na produção industrial refletiu diretamente na mão de obra empregada no Amazonas neste primeiro trimestre

Confirmando as expectativas de representantes do comércio e da indústria, a desaceleração na economia e na produção industrial refletiu diretamente na mão de obra empregada no Amazonas neste primeiro trimestre. No total, foram 1.387 desligamentos registrados pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) e divulgados ontem pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) contra um saldo positivo de 13.525 postos de trabalhos criados no mesmo intervalo do ano passado.
Só em março, foram 761 demissões contra as 3.854 contratações de março do ano anterior, proporcionando ao Estado, o pior desempenho da região Norte no mês, a 6ª performance mais fraca entre as unidades da Federação, além de ter registrado o segundo pior resultado da série histórica para o mês, perdendo apenas para março de 2009, quando 1.280 trabalhadores foram desligados.
“A produção está desaquecida o que gerou esse resultado já aguardado por nós em função dos fatos que vêm compondo o cenário econômico desde o início do ano”, disse o analista econômico da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Gilmar Freitas.

Indústria

O presidente do Corecon-AM (conselho Regional de Economia do Amazonas), Ailson Rezende, destaca que este ano houve um baixo aproveitamento da mão de obra temporária, especialmente no Distrito Industrial.
Os dados do Caged apontam para 806 demissões em março na comparação com o mesmo período do ano anterior (+1.835) e de 1.619 desligamentos no acumulado do trimestre.
“O principal setor afetado foi o de duas rodas pela limitação de acesso ao crédito. Já faz algum tempo que empresários do segmento alertam que apenas um entre dez financiamentos são autorizados pelos bancos para a compra de motocicletas”, destaca.
Segundo ele, esse entrave afeta os empregos. “A rotatividade média é de 1%, mas atualmente para 1% de mão de obra demitida, 1% não é contratada”, informou.
O economista explica que o principal impasse se dá entre o governo federal e os bancos privados, que não querem rever suas taxas para afrouxar o crédito. “Uma saída mais imediata poderiam ser acordos com os bancos estatais, como o Banco do Brasil e a Caixa econômica Federal que já possuem juros reduzidos. Mas por motivos que não conhecemos, a transição não foi efetuada até o momento”.

Outros segmentos

Os resultados também não foram favoráveis para a construção civil. Em março, o saldo foi de -140 postos de trabalho no confronto com as 141 admissões realizadas no mesmo período de 2011. Já no acumulado deste ano, o segmento registrou apenas 16 empregos a mais enquanto no ano anterior 1.201 vagas foram disponibilizadas entre janeiro e março.
O superintendente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Cláudio Guenka, esclarece que no primeiro trimestre de 2011 muitos empreendimentos estavam em fase de construção. “E agora, neste mesmo período, observamos as entregas de muitos apartamentos, gerando desligamentos, uma vez que a mão de obra deixou de ser necessária”.
A esse fator, segundo Guenka, deve-se somar o período de chuvas, que sempre enfraquece o movimento no setor da construção civil.
Apenas a atividade comercial apresentou resultado mais equilibrado. Mesmo os 1.020 desligamentos no primeiro trimestre de 2012 não superaram as 1.043 demissões de igual intervalo do ano anterior. Considerando apenas março, foram 135 contratações. Em 2011 a mesma quantidade foi demitida do setor no terceiro mês do ano.
“O comércio tende a se estabilizar a partir de fevereiro, quando as demissões necessárias já foram efetuadas. Mesmo assim o movimento continua lento”, avaliou o vice-presidente da Fecomércio-AM (Federação do Comércio de Bens e Serviços do Estado do Amazonas), Aderson Frota.
Obedecendo o comportamento do comércio, o setor de serviços empregou apenas 107 pessoas em março contra as 1.952 admitidas em igual período do ano passado, e contratou 1.320 trabalhadores no trimestre. No mesmo período do ano passado, esse número havia sido de 6.326 postos.
Os dirigentes apostam no aumento da contratação em todos os setores a partir do final deste mês. Além da sazonalidade, a expectativa está apoiada nas medidas tomadas pelo governo federal contra a desindustrialização e nos constantes cortes na Selic – taxa básica de juros- que deverá cair para 9,75% ao ano na próxima quarta-feira, último dia de reunião do Copom (Comitê de Política Monetária).

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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