A Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) pretende concluir, até o fim de maio, o estudo de levantamento de áreas utilizáveis para novos investimentos no PIM. A afirmação foi feita pelo superintendente da autarquia, Thomaz Nogueira.
Em visita ao Jornal do Commercio, o dirigente reforçou que a falta de áreas para a expansão do modelo é a questão mais crítica enfrentada pela superintendência hoje.
“Temos dificuldades grandes porque a área do Distrito 2 é bastante irregular do ponto de vista topográfico e não é economicamente viável, pelos custos de terraplanagem. Se queremos atrair investimentos precisamos ter onde instalá-los”, enfatizou.
Consultores econômicos do polo industrial apontam para dificuldades tanto na instalação quanto na expansão das fábricas. A expectativa é de que o levantamento de áreas atraia novos investimentos, expansão de fábricas e a introdução de novos produtos.
“Estou com dois novos clientes que precisam de 30 mil m2 cada e estão na dependência da liberação das áreas”, diz o consultor da Profinco, Hélio Pereira da Silva.
Já o consultor empresarial e presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Ailson Rezende, conta que um de seus clientes quer expandir mas o proprietário do galpão alugado não permite modificações no prédio.
Esses são apenas alguns dos 115 pedidos de área por parte da indústria que estão na ‘lista de espera’ da Suframa. O economista lembra que outros 135 pleitos relacionados a prestadores de serviço ligados ao segmento industrial também aguardam uma solução.
“Ao todo são cerca de 250 pleitos. Por isso, não só os empresários, mas a Suframa também tem pressa. Estamos no limite”, avaliou.
Preços praticados
“O preço do aluguel, por sua vez, gira em torno de R$ 22 o m2, mas pode variar para preços bem mais altos”, alerta Hélio Pereira.
Enquanto isso, Ailson Rezende ressalta que o metro quadrado a R$ 1 na compra do terreno é praticado apenas na área incentivada da Suframa. “Fora desse perímetro, os preços são de mercado e variam entre R$ 20 e R$ 50 o m2” destaca.
Ele diz que o Plano-diretor da cidade dificulta ainda mais a situação dos empresários, uma vez que impede a construção de indústrias em qualquer área da cidade. “Por isso, muitos empresários fazem a prospecção, mas não se fixam no nosso polo”, lamentou.
Outro agravante, conforme lembra Hélio Pereira, é a especulação imobiliária no Distrito “que possibilitou o surgimento de empreendimentos residênciais dentro da área onde só deveria haver indústria, gerando esse déficit de áreas apropriadas que enfrentamos hoje”, criticou.
Alternativas
Após a conclusão do levantamento de áreas e de empresários interessados, os dados recolhidos e os gargalos anotados serão levados para o governo do Estado e para a prefeitura municipal em busca de alternativas.
Thomaz Nogueira disse não poder revelar as alternativas cogitadas, mas revelou que a RMM (Região Metropolitana de Manaus) ainda não pode ser cotada como solução para áreas planas.
“A RMM pode vir a ser uma alternativa, mas precisa fazer sentido econômico. Agora ela não é real, não temos condições básicas de infraestrutura nesses locais e a demanda de área por um número maior de indústrias é urgente”, constatou.
Ele disse ainda que outros aspectos como alterações na cobrança do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) de áreas não incentivadas, como o município de Iranduba precisam ser disciplinados. “O polo cerâmico de Iranduba, por exemplo, passa pra dentro da Zona Franca assim que a RMM for instituída. E perde a isenção de impostos que possui hoje. É claro que o governo do Estado vai ter que resolver isso, mas existe um impacto, por isso ainda é cedo para considerarmos essas cidades como um caminho”, encerrou.






