CPI poderá abrir “caixa preta” da luz

Em: 24 de setembro de 2012
Aleam pode criar CPI para investigar falhas energéticas, mas dependerá da boa vontade de um terço dos parlamentares
Aleam pode criar CPI para investigar falhas energéticas, mas dependerá da boa vontade de um terço dos parlamentares

Nesta terça-feira (25), o deputado estadual Marcelo Ramos (PSB) formalizará pedido de CPI à Assembleia Legislativa para investigar as causas dos blecautes ocorridos em Manaus e as falhas do sistema energético da Eletrobras Amazonas Energia na capital e no interior do Estado. Ele precisará do aval de um terço dos parlamentares, mas diz temer as dificuldades para obter as assinaturas pois, de acordo com o líder socialista, a maioria da bancada governista segue a liderança do senador Eduardo Braga (PMDB), que não vê com simpatia o processo de investigação do corpo diretor da empresa, que ele ajudou a nomear.
Marcos Rotta (PMDB), no entanto, apesar de sua estreita ligação com o senador, defende a CPI e discorda da tese, segundo a qual o objeto da investigação, no caso o sistema energético do Estado, seria de competência federal e, portanto, restrita à Câmara dos Deputados, no Congresso Nacional. Para Rotta e Marcelo, a tese não tem fundamento “já que os blecautes são estaduais e não federais, eles ocorrem no Amazonas, e, assim, são competência da Aleam investigá-los”.
Contrário à tese defendida pela Procuradoria Geral da Aleam, Marcelo lembra que a Câmara Municipal de Manaus já realizou CPI que investigou a crise energética de Manaus, além do que a crise energética está sendo objeto de CPIs em diversos Estados brasileiros pelos Poderes Legislativos locais. “Há três fatos determinados, três ‘apagões’ já ocorridos em Manaus, e o que falta é vontade política para as investigações”, aponta o parlamentar, argumentando que a CPI “abriria a ‘caixa preta’ de possíveis contratos ilícitos da Amazonas Energia”.
Conforme Marcelo, o sistema energético do Amazonas é o mais isolado do país e bastante arcaico, sem qualquer infraestrutura de proteção, exposto à fúria de fenômenos naturais como raios e rajadas de vento. “Mas, o mais grave de tudo é o tempo que o sistema necessita para voltar a operar, há paralisações diárias por zonas na cidade, os investimentos na segurança do sistema não foram feitos, e o resultado é a cidade sem geração estável de energia e sem possibilidade de desenvolver sua economia”, lamenta.

Gasoduto/Cigás
Na opinião de Marcelo Ramos, os governos federal e estadual devem explicações à sociedade sobre os obstáculos que impedem a solução do problema energético no Amazonas. A inutilidade do gasoduto Coari-Manaus, que custou pouco mais de R$ 4 bilhões, e o processo de privatização da Cigás precisam ser esclarecidos. “Houve uma pressa para a Aleam autorizar a privatização da Cigás, mas a consolidação da privatização demora a ocorrer, e a esperança de conversão da matriz energética da capital, do diesel para o gás natural, foi parar nas calendas gregas”, dispara.
Outro absurdo, aponta o deputado, foi o governo do Estado, através da Cigás, ter discriminado o Distrito Industrial da Suframa ao estruturar a rede interna de gás. “E eu consultei especialistas que me asseguraram que o gás não serviria para o uso doméstico, devido ao seu alto custo. Pois colocaram rede em toda a área doméstica da capital e esqueceram o Distrito Industrial”, protesta.
Outro absurdo, no entender de Marcelo, é a resistência da Eletrobras Amazonas Energia à conversão da matriz energética da capital e do interior. “As usinas dos municípios, que já deveriam ter sido convertidas para o gás natural, continuam a operar à base de diesel. A usina a gás, que seria construída agora, ao preço de mais de R$ 1 bilhão, teve a sua licitação cancelada pelo Tribunal de Contas da União. Portanto, me parece que há interesses rasteiros, econômicos, que impedem a conversão do diesel para o gás, porque há muita gente ganhando fortunas com a venda de óleo diesel para a Amazonas Energia”. Todas essas questões justificam a CPI que Marcelo Ramos e Marcos Rotta pedirão ao plenário da Aleam na terça-feira. “Poderemos esclarecer, inclusive, por que muitos contratos da Amazonas Energia são renovados sem licitação, poderemos abrir a caixa preta dessa empresa”, observa.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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