“Uma pessoa com uma crença é um poder social igual a noventa e nove outras que só têm Interesses”.
(JOHN STUART MIL).
Tempos passados escrevi, sobre assuntos diversos, em um veículo da mídia manauara, a convite de seu proprietário, que é pessoa do meu círculo de amizade. Afastando-se este do jornal, meus artigos foram suprimidos. Agora, por convite do ilustre amigo Guilherme Aluízio, volto a apresentar artigos de opinião neste prestigioso e tradicional Jornal Do Commercio, sempre abordando assunto do momento.
Assim sendo, nesses artigos inaugurais discorrerei sobre a eleição municipal que, em segundo turno, dar-se-á no dia 28 vindouro. Fá-lo-ei com a convicção de quem assumiu os destinos do município em momento de grandes dificuldades, apesar de recebê-lo das mãos de um excelente administrador, até hoje exaltado por sua eficiência como gestor municipal (refiro-me ao cel. Jorge Teixeira}. Na época, a totalidade da receita municipal girava em torno de 60.000,00 (sessenta milhões de reais} em valores corrigidos aos dias presentes. Muito havia feito o prefeito antecedente. Acontece que, em tempos de elevado crescimento populacional e expansão urbana, é impossível resgatar o “déficit” acumulado em anos anteriores, em um só período administrativo, especialmente naquele época, quando as exigências de contrapartida de isenções, por parte do Estado e da Comuna, sob condições indispensáveis a implantação dos incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus, haviam deixado em situações de penúria os tesouros estadual e municipal.
É verdade que naquele momento o contingente populacional de Manaus não passava da metade do que hoje existe, mas se aplicada a proporcionalidade na receita, constatar-se-á grande disparidade entre o equacionamento dos problemas e a disponibilidade financeira do município.
Nomeado pelo então governador JOSÉ LINDOSO, já carregava experiências gerenciais de bem sucedidas administrações nos comandos da Diretoria de Planejamento e Diretoria Geral, ambas do DER-AM (Departamento de Estradas de Rodagem), também na Setran (Secretaria de Estado de Transportes).
Economista e professor de Economia ao tomar posse no cargo de prefeito, realizei um levantamento para verificar a situação financeira da Comuna, no tocante a dívida fundada e flutuante, quando identifiquei que só a flutuante suplantava o montante do orçamento anual. Fiquei tão assustado que no dia seguinte compareci ao gabinete do governador para pedir dispensa das elevadas funções de titular do Executivo Municipal.
O governador, naquela fé de admirador dos ensinamentos do padre Antônio Vieira, pregado no memorável “Sermão do Mandato”, disse-me que em situação muito difícil também estava o Estado, que precisava da minha ajuda corajosa no enfrentamento dos problemas da cidade. Ouvi como um desafio. Voltei à Comuna, procurei gerenciar com competência, nunca fiz a mínima acusação aos administradores anteriores.
Aliás, administrador ou político que se dedica a fazer críticas às administrações anteriores certamente estarão fadados ao fracasso, pois ainda que reprovada determinada administração, é de todo conveniente aproveitar o que de bom foi realizado e implementar o que faltou. Isto me parece ser o desejo dos administrados, solução para suas necessidades, não cantilena de recriminação ao passado.
Pelo comportamento que adotei, fui reconhecido pelos eleitores em reeleição como deputado federal (o mais votado do partido do governo). Sofri calúnias, difamações de grupos políticos que lutavam contra o regime militar e a favor da redemocratização do país, mas fui vitorioso tendo Inclusive a honra obter duas outras reeleições, afastando-me das disputas políticas somente quando, apesar da boa votação e o primeiro lugar na coligação, não houve coeficiente eleitoral no grupo que disputei. Venci e muito me ajudou a experiência gerencial anterior.
Muitas vezes, em paralelo com os acontecimentos futebolísticos, lembro-me de um acontecimento dos tempos da adolescência quando um jogador de nome Julinho havia estado incorporado ao futebol italiano por diversos anos. Voltando ao Brasil, foi convocado para a Seleção Nacional para uma disputa amistosa contra a Seleção da Inglaterra na condição de reserva do grande ídolo Garricha. O jogo estava empatado em zero quando o alto falante anunciou a substituição de Garrincha por Julinho. O Maracanã inteiro prorrompeu na maior vaia jamais ocorrida. Julinho entrou em campo e marcou os dois gols que deram a vitória ao Brasil na partida. Os vaiadores emudeceram e constatou-se o erro da mesma multidão, que, também, em remotos tempos, gritou pela crucificação do Salvador da humanidade.
Sendo este o primeiro artigo, na semana vindoura abordarei, segundo a minha crença, os problemas acumulados em Manaus, a aconselhável experiência anterior de seu futuro administrador, o sentimento de que criticar o passado não trará soluções aos urgentes problemas da cidade e outros detalhes pertinentes aos anseios dos manauaras.







