“Quem não é mensaleiro fica longe do governo”

Em: 17 de outubro de 2012
Saída do PR da base do governo é questão de tempo, já que a aliança morreu há tempos, diz Henrique Oliveira
Saída do PR da base do governo é questão de tempo, já que a aliança morreu há tempos, diz Henrique Oliveira

Em vez de indignação, alívio. Assim o deputado federal Henrique Oliveira (PR) analisa ao Jornal do Commercio a decisão da presidente da República, Dilma Rousseff (PT), de realizar uma reforma ministerial logo após o segundo turno das eleições municipais com o objetivo de descartar do governo federal partidos como o PR e o PDT, que nesta etapa final da batalha eleitoral no país marcham com legendas, como o PSDB, hostis ao Palácio do Planalto.
“Na verdade, a senhora Dilma Rousseff está anunciando uma missa de sétimo dia sobre o sepultamento de uma aliança ou parceria que já morreu há tempos”, afirma o parlamentar que no primeiro turno das eleições municipais de Manaus obteve 156 mil votos nas urnas como candidato majoritário da coligação “Manaus pra Frente” (PR/PTdoB/PSC) e agora neste segundo turno apoia Artur Neto na disputa com a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB).
“É bom que se diga que o meu apoio a Artur Neto também se justifica pela indiferença de Dilma Rousseff ao PR. Aliás, quem não é mensaleiro deve mesmo é ficar fora do governo dela”, desabafa Henrique, aludindo ao desgaste de Dilma e do PT com o escândalo do mensalão, em julgamento na esfera do Supremo Tribunal Federal, esquema que desviou mais de R$ 300 milhões destinados à compra de parlamentares para apoiarem o governo Lula no Congresso Nacional.
O rompimento de Dilma com o PR, segundo avalia Henrique, é benéfico ao Estado do Amazonas, onde a popularidade da presidente não é a mesma que os índices do Ibope alardeiam em nível nacional. “Imaginem que os índices de popularidade dela foram mensurados pelo Ibope, que errou feio nas pesquisas de intenção na reta final do primeiro turno das eleições em Manaus”, critica, ressaltando que “nas ruas a gente vê, de fato, a realidade, ou seja, a população insatisfeita com o governo federal”.
Conforme Henrique, além do menosprezo de Dilma ao PR, os poucos membros do partido que compõem o primeiro escalão federal não ajudam a legenda. Ele citou dois exemplos: o diretor de Assuntos Institucionais do Banco do Brasil, ex-senador César Borges, da Bahia, e o atual ministro dos Transportes, Paulo Passos. “Minhas emendas parlamentares jamais tiveram ressonância junto a essas autoridades”, protestou.

ZFM/Artur

Para Henrique Oliveira, a presidente Dilma Rousseff, que deve vir a Manaus nos próximos dias ajudar a campanha de Vanessa Grazziotin, deve reconhecer os méritos do ex-senador Artur Neto na luta em favor da prorrogação dos incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus por mais 50 anos. Artur é o autor da PEC (Projeto de Emenda Constitucional), responsável pela prorrogação.
“Dilma precisa dizer aos amazonenses quem é o autor dessa PEC, que agora o governo federal tomou para si e a encaminhou ao Congresso Nacional para seguir seu rito de tramitação”, expressa o parlamentar, relator da PEC na Câmara Federal. Ele informou ao JC que o projeto segue o processo normal de tramitação na Casa, sendo objeto agora de uma Comissão Especial encarregada de produzir um relatório final para ser encaminhado ao presidente da Mesa Diretora, deputado federal Marco Maia (PT/RS), antes de ser levado à votação em plenário.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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