Histórias reais: Os que construíram a cidade moderna e rica

Em: 25 de outubro de 2012
Houve um tempo em que os automóveis começaram a chegar a Manaus e as ruas antes tranquilas em sua serventia de local para tráfego de bondes sobre trilhos e carroças e cavaleiros montados, começaram a ficar perigosas
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Houve um tempo em que os automóveis começaram a chegar a Manaus e as ruas antes tranquilas em sua serventia de local para tráfego de bondes sobre trilhos e carroças e cavaleiros montados, começaram a ficar perigosas

Houve um tempo em que os automóveis começaram a chegar a Manaus e as ruas antes tranquilas em sua serventia de local para tráfego de bondes sobre trilhos e carroças e cavaleiros montados, começaram a ficar perigosas. A modernidade chegou e a Zona Franca trouxe um mundo novo para dentro da cidade que vivia de lembranças do fausto da borracha.
Os espaços se tornaram pequenos para o progresso e sua nova onda populacional. Manaus precisou crescer e o povo invadiu seus igarapés e matas, traçando novos caminhos. O Centro se expandiu e avançou para o norte devorando a zona rural. Os rumos se diversificaram: zona oeste, zona leste, zona norte.
Um comércio forte se estabeleceu no Centro Antigo e atraiu, primeiro, migrantes do interior do Estado; depois, pessoas oriundas de Estados vizinhos. Mas, foi a implantação do Distrito Industrial, com suas fábricas de marcas mundiais que deu o start para a transformação definitiva de Manaus na grande metrópole do Norte do país.
Sem planejamento de governo para guiar a expansão provocada pela onda migratória, as invasões dominaram a cena do crescimento e dezenas de novos bairros foram surgindo, ganhando nomes de novelas, de políticos ou denominações bíblicas. Uma religiosa pode ter sido a maior responsável pela expansão urbana de Manaus: irmã Helena Walcott.
A missionária negra que dedicou sua missão em Manaus a distribuir terras improdutivas para os pobres fez nome em comunidades nas zonas norte e leste. Sua atuação ainda é desconhecida da história oficial, mas, a história contada pela boca daqueles que a conheceram e foram por ela beneficiados confirma a importância do seu trabalho.
As histórias que contamos nesta Edição Comemorativa dos 343 Anos de Manaus foram iniciadas e construídas nesse período de turbulências econômicas e sociais que varreram a pacata cidade que até os seus 300 anos tinha no seu porto flutuante e nas retretas na praça da Polícia a principal atração das tardes de domingo.
São relatos de migrantes anônimos que aqui chegaram para dividir o espaço fértil da terra denominada “mãe dos deuses” na língua dos índios manaós. Foram eles que, juntos com os manauaras nativos, fizeram a história dos últimos 43 anos. São hoje grandes empresários, pequenos comerciantes, homens públicos, trabalhadores.
Eles transformaram Manaus na sexta cidade mais rica e sétima mais populosa do Brasil, e também considerada como a capital brasileira que mais evoluiu em qualidade de vida nos últimos dez anos. E tem seu nome incluído em uma lista mundial de cidades classificadas por sua economia, cultura, acontecimentos políticos e patrimônios históricos.
O Jornal do Commercio buscou nesses personagens uma nova forma de contar essa história, que é rica e que ainda guarda muitos segredos para o futuro.

Parabéns Manaus.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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