A indefinição sobre o possível fim da guerra fiscal entre os Estados contribui para gerar o momento de baixo investimento que o país vive, afirmou o coordenador do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária), Cláudio Trinchão. Para ele, diante de um momento de insegurança, em que o governo federal faz pressão para a adoção de uma alíquota interestadual unificada do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) em 4% e os Estados não chegam a um acordo, os investidores decidiram puxar o freio e esperar a solução do impasse.
“Com a iminência que temos de uma súmula (vinculante, para estender a sentença da Justiça a todos os incentivos fiscais da mesma natureza dos já considerados inconstitucionais) e com a insegurança que está instalada, tenho ouvido de todos os secretários que há bilhões em investimentos aguardando uma definição para que sejam realizados”, disse Trinchão, em evento nesta segunda-feira em São Paulo.
Na divulgação mais recente do PIB (Produto Interno Bruto), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que a FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo) caiu 2,0% do segundo para o terceiro trimestre. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a FBCF, que se refere a investimentos produtivos, caiu 5,6%.
“Será que a performance pequena da nossa economia não tem a ver com isso? Lógico que tem, mas muitos não se atentaram ainda”, apontou o coordenador do Confaz, também secretário da Fazenda do Estado do Maranhão. De acordo com ele, há estimativa de investimentos entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões “em stand by” no Maranhão, à espera de definições sobre a situação fiscal.
Trinchão relatou ter sido procurado por um grande grupo empresarial que planeja investir R$ 8 bilhões no Estado e também em ampliação de uma planta no Nordeste. “Eles dizem que não fazem um centavo de investimento enquanto essas questões não forem definidas, inclusive com relação à convalidação, pois eles pegaram quase R$ 2,5 bilhões em auto de infração.” A discussão sobre a convalidação da guerra fiscal, que consiste na ideia de reconhecer os benefícios já concedidos, se arrasta no Confaz sem consenso.
O coordenador do Confaz disse ainda que não se deve “demonizar” a guerra fiscal, pois, sem os benefícios que foram concedidos, Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste estariam “ainda mais” desiguais com relação aos demais. “Se há uma alavancagem na última década de desenvolvimento nos Estados mais pobres é em função da guerra fiscal”, afirmou. O fim da guerra fiscal, de acordo com ele, depende de uma compensação não só financeira, mas também social, que não foi até agora oferecida pelo governo federal.
Segundo ele, os Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste não aceitarão a simetria de 4% de ICMS. “Nós queremos muito mais que a criação desses fundos (que foram propostos pelo governo). Queremos uma política de desenvolvimento regional, que requer muito mais investimento do que está sendo posto”, declarou.
Para Confaz, impasse sobre ICMS é danoso
Em: 4 de dezembro de 2012
A indefinição sobre o possível fim da guerra fiscal entre os Estados contribui para gerar o momento de baixo investimento que o país vive, afirmou o coordenador do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária), Cláudio Trinchão
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Veja também

Petrobras batiza primeiro navio a navegar com tripulação 100% feminina
19 de setembro de 2026


Apostas em bets avançam entre jovens e ampliam risco de dependência
19 de setembro de 2026

Durigan: depois da eleição, a questão da tarifa dos EUA tem de se resolver
19 de setembro de 2026

Flávio: Lula colocou tropa de choque para defender Alexandre de Moraes
19 de setembro de 2026


BNDES já recebeu R$ 8,2 bilhões em pedidos de crédito do Brasil Soberano em dois dias
19 de setembro de 2026

Missão comercial leva empresas brasileiras ao Paraguai e à Argentina
18 de setembro de 2026