O Norte do país contrariou o padrão nacional do Indicador Serasa da Demanda do Consumidor por Crédito e recuou 1,0% em janeiro de 2013, em comparação com dezembro último. De acordo com os dados divulgados nesta quinta-feira (14), a média da quantidade de pessoas que procurou crédito na temporada avançou 2,2%. No comparativo interanual, o crescimento chegou a 12,3%.
Por outro lado, a lista do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) também aumentou consideravelmente no Amazonas. De acordo com o presidente da CDL-Manaus, Ralph Assayag, 45.185 consumidores entraram na lista de devedores somente na capital no primeiro mês de 2013.
Segundo o consultor econômico Marco Antonio Farias, o processo de regularização de pendências sempre é gradual no início do ano. “As famílias aproveitam o período para negociar antigas dívidas e procurar crédito”, explica.
Este fato, aliado aos juros mais baixos, ao aumento da concorrência entre as instituições financeiras e ao bom momento vivido pelo mercado de trabalho, impulsiona a busca do consumidor por crédito.
A fuga à regra nos estados do Norte é justificada, para o especialista, por se tratar de regiões menos desenvolvidas. “Se compararmos os números, percebemos que só houve queda no Norte (1,0%) e no Nordeste (1,4%). No sul, por exemplo, a procura de crédito subiu em 6,9%”, diz Farias. Na região Sudeste, a demanda cresceu 1,9%, na Centro-Oeste, 4,3%.
Análise por renda mensal
Baseado no estudo divulgado pelo Serasa, todas as faixas de rendimento mensal registraram crescimento na demanda por crédito no primeiro mês de 2013. No entanto, nota-se que os maiores avanços concentraram-se nas camadas superiores de rendimento mensal. De fato, os consumidores que ganham mais de R$ 10.000 por mês cresceram em 3,8% a sua procura por crédito em janeiro, seguidos de perto pelos consumidores que recebem entre R$ 5.000 e R$ 10.000 mensais (alta de 3,7%).
Já os consumidores que possuem renda mensal entre R$ 2.000 e R$ 5.000 cresceram em 3,2% a sua demanda por crédito no mês de janeiro/13, ficando ligeiramente acima dos 2,8% registrados pelos consumidores com renda mensal compreendida entre R$ 1.000 e R$ 2.000.
Os menores avanços foram observados pelos consumidores que ganham entre R$ 500 e R$ 1.000 por mês (alta de 1,5% na procura por crédito no primeiro mês de 2013) e por aqueles que ganham até R$ 500 mensais (crescimento de apenas 0,5% na demanda por crédito em janeiro/13).
As dívidas
Na capital amazonense, o valor das dívidas variam de R$ 200 a R$ 1.000. Enquanto 45.185 pessoas foram acrescidas na lista de inadimplentes em Manaus, 41.582 consumidores conseguiram “limpar” seus nomes e quitaram suas pendências financeiras.
“Mesmo com a queda da procura do cliente por créditos, o consumidor amazonense conseguiu manter em um bom nível o saldo de dívidas a serem sanadas”, comemora Assayag.
Inadimplência registra alta de 11,8% no Brasil
A inadimplência do consumidor cresceu 11,8% no primeiro mês de 2013, na comparação com janeiro do ano passado, informou hoje (14) a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL).
As vendas tiveram alta de 3,88% na comparação com o mesmo período. A confederação atribui o maior endividamento ao cenário favorável ao consumo em 2012.
A recuperação de crédito cresceu 5,92% em janeiro de 2013 ante o mesmo mês de 2012. O percentual é calculado em função da quantidade de CPFs que deixaram o cadastro do Serviço de Proteção ao Crédito, administrado pela CNDL.
Na avaliação do presidente da entidade, Roque Pellizaro Júnior, a alta da inadimplência preocupa.
Para ele, caso o indicador permaneça elevado e haja pressão inflacionária, há risco de o governo aumentar a taxa básica de juros, a Selic, para inibir o consumo.
A CNDL acredita que, embora houvesse liquidações pós-natalinas em janeiro, os consumidores compraram menos em função de despesas com material escolar e tributos, como o Imposto Predial e Territorial Urbano e o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores.







