‘Com turismo, atraímos bons negócios’

Em: 27 de março de 2013
Iniciou a parceria com o prefeito através da mútua simpatia e admiração profissional de ambos
Iniciou a parceria com o prefeito através da mútua simpatia e admiração profissional de ambos

À frente da gestão ambiental de Manaus com o compromisso de estabelecer metas voltadas à melhoria da qualidade ambiental da cidade, a secretária da Semmas (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade), Kátia Schweickardt assumiu o desafio da requalificação de espaços públicos e de ampliação do número de áreas protegidas. Iniciou a parceria com o prefeito através da mútua simpatia e admiração profissional de ambos. Logo no começo do governo com a implantação de uma dinâmica que, segundo Kátia, tem tudo a ver com o meio ambiente. “É uma dinâmica de trabalho colegiada e cooperativa entre os secretários. Porque pensar na questão ambiental, é pensar no todo da vida das pessoas, o ambiente diz respeito ao todo”, explicou Kátia. A seguir a íntegra da entrevista exclusiva ao Jornal do Commercio.

Jornal do Commercio – Decorridos 85 dias da gestão municipal, qual a principal ação implementada pela Semmas?

Kátia Schweickardt – Foram várias, mas uma que sempre está presente no dia a dia da equipe é do pacto entre o secretariado municipal em trabalhar para os dois milhões de habitantes onde a estrela é o povo de Manaus. Estamos muito empenhados em melhorar a imagem da cidade que está praticamente abandonada pela gestão anterior. Vamos construir parcerias público-privadas para atender os objetivos de melhorar o ambiente onde vivem os manauaras.

JC – Licenciamento ambiental e o setor produtivo…como avançar de forma sustentável?

KS – A cidade cresceu muito nos últimos anos e é preciso também que as empresas que cobram tanto do poder público, melhorias da cidade, também deem para a cidade possibilidade para termos áreas melhores para o turismo. Trazendo turismo, atraímos bons negócios. Município e Estado estão construindo uma agenda conjunta no sentido de melhorar o Licenciamento Ambiental de diversas atividades desenvolvidas na cidade. Pela lei complementar 140/11 vem descentralizar as atividades do governo federal para o Estado, e das atividades que serão licenciadas agora pelos municípios, eliminando o duplo licenciamento realizado pelo Ipaam e pela Semmas. São várias atividades que hoje vem sendo licenciadas pelo Estado ou que são objetos de duplo licenciamento, que serão beneficiadas pela simplificação e unificação das licenças pelo município.

JC – Como está o projeto de arborização da cidade?

KS – O nosso Plano Diretor permite que as pessoas se sintam parte da cidade por meio da sua contribuição na arborização. Não temos uma única espécie que represente a cidade devido a grande diversidade nativa. Hoje infelizmente no projeto de arborização urbana utilizamos espécies resistentes de crescimento mais rápido como os Oitis. Mas, temos insistido e avançado na arborização urbana com Pau Pretinho, que é uma espécie nativa que tem dado bons resultados.

JC – Qual o maior entrave que a Semmas encontrou neste início dessa gestão?

KS – O projeto de arborização é igual ao projeto de drenagem, os políticos não querem muito investir nisso porque são obras que não aparecem. É um trabalho que estamos plantando hoje para as gerações futuras. Então, é muito difícil até para ter um político aqui à frente da minha secretaria, porque todo o trabalho que fazemos é para as gerações futuras. Se alguém tem que começar esse alguém somos nós da Semmas.

JC – Haverá parceria com a Semef no sentido do contribuinte ganhar desconto no IPTU para plantar, cuidar e adotar uma árvore?

KS – Já houve uma proposta do deputado Luiz Castro querendo discutir em termos econômicos junto com a prefeitura. Hoje o que a prefeitura arrecada via IPTU ainda é um percentual pequeno do tamanho da missão que precisamos desempenhar. Essa seria uma alternativa muito importante. Mas, precisaríamos ponderar o melhor caminho se para os IPTUs individuais ou para redução de impostos para empreendedores. Seria uma compensação financeira para o comerciante que assumir do indivíduo arbório.

JC – O que preocupa mais na relação da cidade de Manaus com meio ambiente?

KS – O fato que ainda nos causa preocupação: o Amazonas é o Estado que tem a floresta mais preservada, mesmo entre os Estados da Amazônia, onde o Pará, Acre e Rondônia estão com percentual maior de desmatamento. Porém, Manaus ainda é uma cidade que tem baixo índice de arborização urbana. Este fato está relacionado ao padrão de desenvolvimento que virou de costas para a floresta. O interesse da prefeitura e do Governo do Estado é estar voltando a cidade para a floresta e esse processo já começou em franca parceria.

JC – Sobre a 3ª Conferência Municipal de meio Ambiente: Qual a Agenda e Tema em foco?

KS – Essa é a nossa principal agenda da Semmas para esse ano, o prefeito Arthur assumiu como uma das mais importantes agendas da prefeitura. A 3ª Conferência Municipal de Meio Ambiente, e vai ter a 4ª Conferência Nacional de Meio Ambiente, cujo tema é Resíduos Sólidos. Até isso veio também ao encontro desse nosso projeto e do projeto do prefeito Arthur, de fazer uma gestão muito colegiada. Que o tema da conferência está diretamente relacionado a várias secretarias, sobretudo à Secretaria Municipal de Limpeza Pública. A conferência está sendo capitaneada pela Semmas, mas está sendo organizada de modo colegiado por nós, pela Semulsp, pela Semtrab e por vários órgão e instituições tanto públicos do Governo do Estado e do governo federal, como também da iniciativa privada com a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas, Associações do comércio, todos estão participando.

JC – Quais as ações para atenuar a degradação do meio ambiente causada pelo lixo gerado na cidade?

KS – A questão do lixo é um dos grandes problemas das cidades do mundo. Como vamos manejar o lixo, está relacionada a toda uma discussão de produção e consumo sustentável. Com nosso padrão de consumo, de como nós produzimos, que tipo de tecnologia estamos usando. Tudo isso está relacionado com ao manejo do lixo e dos resíduos sólidos.

JC – E a questão do custo do manejo do lixo?

KS – A questão do custo do manejo do lixo é uma preocupação grande de nosso secretário Paulo Farias, quanto custa para a cidade, para os cofres públicos todo mundo sujar e o poder público sozinho limpar? Temos que debater esse tema com a sociedade, quanto podemos economizar aos cofres públicos ao cada um diminuir o lixo que produz. Transformar esse lixo em algo que possa ser rentável, que possa ser reciclado.

JC – Para a economia da cidade existe uma forma de ganhar com o lixo produzido no dia a dia?

KS – Produzimos toneladas de lixo todos os dias. Precisamos atrair indústrias de reciclagem para Manaus, porque a cidade recicla pouco e apenas papel e papelão. Manaus ainda não tem nenhuma indústria de reciclagem de vidro. Quanto aos plásticos reaproveitamos apenas os fininhos e as pets deixamos de reciclar. Então, a gente produz resíduos sólidos e não consegue reciclar. Essa conferência veio num momento muito importante para todos do poder público abrir esse debate com a sociedade. E chamar a responsabilidade da sociedade também, para o seu padrão de produção e consumo e quanto é que a estamos dispostos a continuar limpando, e sujando e limpando.

JC – Como está a política de resíduos sólidos em Manaus?

KS – O Brasil já tem uma política nacional de resíduos sólidos, Manaus tem uma política municipal de resíduos sólidos. Existem compromissos no sentido de acabar com os lixões e de se avançar na instalação de aterros sanitários. Hoje, chegamos num limite e Manaus precisa de soluções para sanar esse imenso problema dos resíduos sólidos.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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