A taxa de inadimplência do crédito com recursos livres para as famílias chegou a 7,7%, em fevereiro, de acordo com dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC). Houve redução de 0,2 ponto percentual em relação a janeiro. No mês passado, a taxa de inadimplência alcançou o mesmo patamar registrado em dezembro de 2011.
Na avaliação do chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, essa taxa ainda é elevada, mas pode indicar uma tendência de queda. “Não é um processo consolidado. É preciso aguardar para ver se isso consolida como uma tendência”, disse.
Maciel acrescentou que a redução da inadimplência não está concentrada em uma modalidade específica. Na avaliação dele, a queda é resultado do aumento da renda da população, o que favorece a capacidade de pagamento. Além disso, a redução das taxas de juros observada no ano passado fez com que o custo da dívida ficasse menor.
Neste início de ano, as taxas de juros voltaram a subir. De janeiro para fevereiro, a taxa de juros do crédito para pessoas físicas, com recursos livres, subiu 0,5 ponto percentual, para 35,1% ao ano. A taxa média de juros para pessoas físicas de todas as operações de crédito do sistema financeiro subiu 0,2 ponto percentual, para 24,9% ao ano, de janeiro para fevereiro.
“Esse comportamento endossa a ideia de que as taxas de juros, após a queda que durou quase um ano, alcançaram um novo patamar”, disse Maciel.
O aumento dos juros é reflexo da alta da taxa de captação de recursos pelos bancos, que passou de 7,8% para 8,2% ao ano, de janeiro para fevereiro, no total para pessoas físicas e jurídicas. De acordo com Maciel, o custo de captação reflete a percepção dos agentes sobre a conjuntura internacional, a inadimplência, os riscos, a inflação e as perspectivas de taxas de juros. Com a alta da inflação, o mercado financeiro espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC eleve a taxa básica de juros, a Selic, que serve de referência para as taxas de juros.
Maciel também informou que foram mantidas as projeções para o crédito este ano. A estimativa do BC para o crescimento do saldo das operações de crédito este ano é 14%. A expectativa é que o saldo das operações de crédito represente 55% do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país.
Transparência
O governo federal divulgou na última quinta-feira um conjunto de medidas para disciplinar e tornar mais transparente a cobrança de tarifas bancárias por parte das instituições. Assim, alguma delas, a partir de agora, terão prazo de reajuste (no mínimo a cada seis meses), enquanto outras serão isentas. Ao todo foram três resoluções do CMN (Conselho Monetário Nacional).
A regra valerá a partir do dia 30 de abril de 2008. A intenção é evitar o risco de inadimplência por conta do desconhecimento do clientes sobre alguns dos serviços bancários oferecidos, inlcuindo operações de crédito.







