O dólar comercial vem crescendo durante a semana, chegando a atingir até R$ 2,16 nesta terça-feira (11). Pela manhã o Banco Central realizou dois leilões swap cambial tradicional, que equivalem a uma venda futura de dólares, para reduzir o valor da moeda. Depois destas atuações, o dólar chegou a cair para R$ 2,13, menor valor registrado do dia, mas acabou fechando a R$ 2,142. O crescimento da moeda vem causando incertezas na indústria amazonense que espera aumento nas exportações, mas teme a perda de competitividade de produtos que necessitam de insumos importados.
O vice-presidente da Fieam, Américo Esteves, explica que é necessário fazer uma análise por setor e que ainda é difícil dar um panorama, embora acredite que esse crescimento do dólar será tendência para as próximas semanas. “Para um setor como o de biscoitos haverá muito prejuízo e aumento no preço, pois precisamos importar farinha e com isso tudo fica mais caro. Mas para setores que exportam há uma expectativa de crescimento”, comenta Américo que também é presidente do Sindicato das Indústrias de Massas Alimentícias do Amazonas
O economista Ailson Nogueira Rezende explica que o Amazonas tem grande parte dos seus insumos importados e com isso o PIM tende a sentir mais os efeitos dessa alta do que os outros pólos do país, tornando as indústrias menos atraentes para novos investimentos. Para ele a valorização da moeda americana irá provocar um aumento da inflação que deveria ter sido previsto pelo governo. “O governo incentivou o consumo mas não criou infraestrutura para atender a demanda. Agora a tendência é aumentar o consumo de produtos estrangeiros” critica.
Sobre as exportações, Ailson Nogueira, não vê uma grande melhora. “As exportações deveriam ser um ponto positivo. O problema é que hoje o que salva as exportações amazonenses são as commodities. Os produtos estrangeiros que ganham com isso, o saldo econômico é negativo para nós”, explica.
Comércio
Para o vice-presidente da Fecomércio, Aderson Frota, o comércio amazonense deve demorar a sentir os efeitos dessa valorização do dólar. Ele explica que o produto nacional tende a ficar mais barato e o importado mais caro. “Também tem o lado positivo. Há produtos que necessitam de insumos internacionais e com isso ficam mais caros, mas há produtos 100% nacionais que serão mais consumidos. É um cenário que precisa ser examinado como um todo.” Aderson comenta que a situação em relação a moeda ainda não é preocupante embora esteja sendo feito um acompanhamento mais cauteloso sobre o mercado.
Para Aderson a valorização do dólar é natural e o governo brasileiro está agindo de maneira equivocada ao tentar frear o crescimento da moeda americana. “Vejo uma medida errada do governo em tentar conter a alta do dólar. A economia americana está crescendo e isso gera a alta da moeda em nível global. Não é o caso de tentar conter esse avanço. É o caso de saber lidar com ele. Negociar os lados positivos e negativos para evitar uma quebra no mercado a longo prazo”, avalia.
No entanto Ailson Nogueira acredita que os efeitos podem ser sentidos mais brevemente. Para o economista o aumento da moeda pode prejudicar as vendas como um todo devido aos efeitos de inflação diminuírem a geração de crédito. “É um problema que já vivemos hoje em dia e tende a aumentar com a alta do dólar. O consumidor deve consumir menos e o comércio amazonense já não vive seus melhores momentos”, comenta.
Turismo tem lado bom e outro ruim
Na prática a alta dólar torna o Brasil, e consequentemente o Amazonas, mais interessante para os turistas estrangeiros, que desembolsariam menos para visitar o país. No entanto, Ailson Nogueira destaca que o turista brasileiro também deve gastar mais quando viaja a outros países e que esse saldo sempre acaba sendo negativo para o país.
Dados do Banco Central revelam que em abril o Brasil apresentou déficit de US$ 5,6 bilhões com o turismo. Enquanto os turistas estrangeiros deixaram US$ 2,5 bilhões no país. O brasileiro que viajou ao exterior gastou US$ 8,1 bilhões. “Na teoria, o turismo deve aumentar com a valorização do Dólar perante o Real. No entanto isso não deve apresentar ganhos econômicos para o país, já que o brasileiro gasta mais lá fora e o saldo dessa história é negativo”, explica.
Os efeitos positivos para o turismo só deveriam ser sentidos caso já estivéssemos na época de Copa do Mundo.







