Brasil tem desafio de crescimento pela frente

Em: 28 de junho de 2013
Em 2013, o Brasil deve enfrentar uma encruzilhada econômica: ou o país volta a crescer de forma acelerada, no patamar dos 3% ou 4%, ou até seu status de ‘Bric’ começará a ser questionado
Em 2013, o Brasil deve enfrentar uma encruzilhada econômica: ou o país volta a crescer de forma acelerada, no patamar dos 3% ou 4%, ou até seu status de 'Bric' começará a ser questionado

Em 2013, o Brasil deve enfrentar uma encruzilhada econômica: ou o país volta a crescer de forma acelerada, no patamar dos 3% ou 4%, ou até seu status de ‘Bric’ começará a ser questionado. Essa é a visão de analistas como Jim O’Neill, do banco Goldman Sachs, que em 2001 criou o acrônimo Bric para designar as nações emergentes que em 2050 igualariam seu peso econômico ao de países do mundo rico, além do Brasil, Rússia, Índia e China.
O’Neill é, na realidade, otimista sobre o potencial de crescimento do Brasil a partir de 2013. Para ele, apesar da decepção com a expansão de apenas 1% do PIB em 2012, o país deve voltar a crescer em 2013, alcançando um crescimento de 4% a 5% já em 2014.

Crescimento sustentável

Wilber Colmerauer, diretor da consultoria Brasil Funding, em Londres, concorda que 2013 será decisivo para a economia brasileira após 2012 ser marcado pelo fim da euforia dos mercados e investidores internacionais em relação ao país.
Em 2010, o entusiasmo com o Brasil foi inflado por um crescimento de 7,5% do PIB. A alta de 2,7% de 2011 foi interpretada por analistas como um ajuste sobre o ano anterior, em que o país teria crescido mais que seu PIB potencial, de 4%. “Mas no final de 2012 houve até um excesso de pessimismo sobre o Brasil, potencializado pelo crescimento de apenas 1%”, disse Colmerauer.
Na opinião do analista, para ajustar as expectativas sobre a economia brasileira é importante que em 2013 o país demonstre que tem condições de iniciar uma trajetória de crescimento sustentável, em vez de apenas mais um ciclo curto de expansão, “o que alguns economistas chamam de voo de galinha”.
“O objetivo não pode ser crescer em 2013, mas sim crescer de 2013 a 2023″, concorda Marcos Troyjo, diretor do BricLab, centro de estudos sobre o Bric da Universidade de Columbia, nos EUA.

Ameaças externas

Para Troyjo, entre os fatores externos que podem dificultar a aceleração do crescimento brasileiro está o acirramento da crise internacional, por exemplo, em decorrência de um fracasso dos EUA em evitar o abismo fiscal ou da complicação dos problemas da Europa. “O impacto direto de um acirramento da crise seria limitado, porque o Brasil tem uma economia relativamente fechada. Mas haveria um impacto indireto em função da mudança nas expectativas e confiança dos investidores”, opinou Troyjo.
Fabiano Bastos, do Banco Inter-Americano de Desenvolvimento (BID), também menciona o risco de um desaquecimento maior que o esperado na China, que poderia reduzir o preço das commodities e afetar a percepção de risco para investimentos em mercados emergentes. “Se o investimento não acompanhar essa alta da demanda, poderíamos ter uma elevação da inflação para 7% ou 8%, caso em que seria difícil para o governo manter a política de queda dos juros”.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar