Uma comitiva formada por representantes de Novo Airão visitou, nesta segunda-feira (19), a sede da Embrapa Amazônia Ocidental, em Manaus, para buscar informações sobre como melhorar a produção e produtividade da cultura da mandioca no município. Na ocasião, o grupo –formado pela prefeita Lindinalva Silva, pelo vereador Cícero Filho e pelo secretário Municipal de Organização Fundiária, Raimundo Barbosa – pôde conhecer melhor o projeto Manareiro –Estratégia de multiplicação rápida de variedades superiores de mandioca para o aumento da produção de farinha e fécula no Estado do Amazonas.
O Manareiro tem despertado o interesse de líderes de municípios do Amazonas, pois ataca o principal problema relacionado à produção de mandioca no Estado atualmente: a falta de manivas-semente em quantidade e qualidade necessárias. O projeto está em fase de implantação e vai promover capacitações sobre multiplicação rápida de manivas de mandioca, método que permite propagar uma quantidade até 160 vezes maior de manivas comparado ao procedimento tradicional.
Apesar de ser planejado para os municípios de Manaquiri e Careiro Castanho, a Embrapa Amazônia Ocidental tem se mostrado disposta a difundir a tecnologia de multiplicação rápida de manivas-semente para outros municípios interessados. “Especialmente capacitando técnicos, agricultores e líderes comunitários do município sobre este método. Esta é a forma mais eficiente de contribuirmos para que possamos levar este conhecimento para o maior número de lugares. Temos condições de dar este apoio, principalmente quando existe esta demanda vinda diretamente do município”, destacou o supervisor do SIPT (Setor de Implementação da Programação de Transferência de Tecnologia) da Embrapa Amazônia Ocidental e coordenador do Manareiro, Raimundo Rocha.
Para o vereador Cícero Filho, Novo Airão pode melhorar a qualidade de vida de sua população a partir do fortalecimento do setor primário. “Temos uma produção muito baixa de mandioca e de farinha hoje no nosso município e o principal motivo é a falta desta maniva-semente. Acredito que esta proposta que vimos hoje na Embrapa possa nos ajudar a transformar Novo Airão em um grande produtor de farinha”, ressaltou.
Para o desenvolvimento do método de multiplicação rápida são necessárias estruturas parecidas com viveiros, chamadas de câmaras de propagação. Elas têm custo baixo e são portáteis, podendo ser deslocadas para diferentes localidades do município após o término do processo de multiplicação. “Através deste sistema, que é simples e barato, é possível ter um nível suficiente de manivas-semente para o produtor”, pontuou Rocha.
Projeto Manareiro
A mandioca é plantada por hastes da planta chamadas manivas. Embora a mandioca seja um cultivo tradicional do Amazonas, nem sempre os agricultores conseguem manter uma reserva de manivas dos seus melhores materiais de mandioca para plantio, ou aproveitar adequadamente o potencial de germinação da planta. No Estado, a multiplicação de manivas-semente pelos agricultores ocorre geralmente pelo método tradicional de propagação no qual se tira cerca de cinco a 10 manivas-semente de uma planta adulta, quando ela atinge 10 a 12 meses. Pelo projeto Manareiro, a Embrapa propõe capacitações no método de multiplicação rápida, pelo qual é possível, a partir de uma planta adulta, selecionar manivas para produzir cerca de 160 plantas, das quais, depois de estabelecidas em um campo de multiplicação, produzirão cerca de 1.600 manivas-semente de 20 cm, no período total de, aproximadamente, 16 meses.
O Manareiro é uma proposta da Embrapa Amazônia Ocidental atendendo a demanda do Governo do Estado do Amazonas, por meio da Sepror (Secretaria de Produção Rural). As atividades do projeto serão executadas pela Embrapa, em parceria com o Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas) e as Prefeituras de Manaquiri e Careiro Castanho, através de suas secretarias municipais de Agricultura e Produção. Os recursos para o projeto serão financiados pela Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas), no âmbito do Programa de Apoio à Consolidação das Instituições Estaduais de Ensino e/ou Pesquisa (Pró-Estado).







