Temática amazônica ganha espaço mais uma vez no palco do Teatro Direcional (Shopping Manauara). O 3° Festival de Teatro Regional elegeu quatro espetáculos que serão apresentados ao público de 24 a 27 do próximo mês. Para dar o tom caboquês, o evento privilegia atores e companhias locais.
“A Divina Comédia Cabocla” – baseada no álbum do cantor e compositor Nicolas Jr. –tem assinatura do ator Nivaldo Mota, que defende as canções como registro singular da realidade do povo amazonense. Em um tom que varia entre o cômico e o repúdio, o autor da peça polemiza o modo irresponsável com que a nossa cultura é conduzida.
“Trata-se de uma comédia que tem como cenário central o cotidiano de uma família de classe média moradora da zona Leste”, resume o cantor que cedeu sua obra para ser vivida por atores.
Seu Nilo é um velho estivador aposentado nos tempos áureos do Porto de Manaus. Vivendo de uma boa aposentadoria, o patriarca da família tem que sustentar três filhos: Gesislaine (Mãe solteira), Agenor (Ex-alcoólatra e candidato a pastor de igreja evangélica) e Bené (Músico mal sucedido, que ganha a vida como dançarino de boate). A trama se desenrola em torno de muita mentira, desde os tempos em que o Seu Nilo era estivador da ativa, e se torna refém de um velho “amigo” que o ameaça o tempo todo, a contar a verdade para os seus filhos e netos.
Queridinha dos amantes da música, Gesislaine sai do CD – que dá nome ao espetáculo -e ganha vida por meio da atriz Luciana Procópio. Como a canção adianta, a personagem é um destaque à parte: “Primeiramente, o Balneário da Dengosa. Em seguida, a Ponta Negra, depois Praça do DB. À noite íamos pro boteco tomar Cerpa e jogar bilhar. Virava a noite nos ‘bregas’, lá na Grande Circular”.
Entre as referências à capital, o Bar do Armando, a Fundação Doutor Thomas e o próprio Festival de Teatro. Além de “A Divina Comédia Cabocla”, Nivaldo também é autor das peças “Escova Escovídia contra Dona Cárie Cacareco”, “Memórias de um Dorminhoco”, “Natal é Para todos” e “A Grande Maloca”.
A canção
“A Divina Comédia” e “Ensaio sobre a Cegueira”, de Dante e Saramago respectivamente, serviram de inspiração para o quarto álbum do artista (lançado em 2005, em parceria com os jornalistas Aldísio Filgueiras e Joaquim Marinho). Regionalista, o cantor aproveitou-se da música para registrar o que observa sobre a cultura amazônica. “A arte que procuro fazer, nada mais é do que uma contestação. Um ato de amor pelo norte. Em outras palavras, uma crítica construtiva cantada”, define.







