A Resolução nº 75 da Camex (Câmara de Comércio Exterior), publicada na edição de ontem (1.º) no “Diário Oficial” da União e que prorrogou por até cinco anos o direito antidumping nas importações de pedivelas –peça na qual são instalados os pedais das bicicletas –provenientes da China, podem prejudicar a produção de bicicletas na ZFM (Zona Franca de Manaus). A medida determina uma sobretaxa de US$ 1,56/kg para as peças importadas.
A medida antidumping tem como objetivo proteger o produtor nacional, ao evitar que seja prejudicado por importações feitas a preços muito abaixo dos praticados no mercado do país importador, para eliminar a concorrência. Mas, segundo representantes das indústrias de bicicletas instaladas em Manaus, o grande problema é que, no Brasil, só existe um fornecedor de pedivelas, a Metalúrgica Duque, com sede na cidade de Joinvile (SC).
De acordo com o supervisor de compras da empresa Prince Bike do Norte, Tarciso Amoedo Marques, por ser o único fornecedor nacional da peça, a metalúrgica acaba recebendo um volume de encomendas muito superior à sua capacidade produtiva, o que acaba provocando atrasos na entrega dos pedidos. Na opinião dele, com a prorrogação do direito antidumping, as dificuldades vão continuar pelos próximos cinco anos.
“Já era ruim com a Duque, agora com essa prorrogação ficou pior. Nessa época do ano todos os fabricantes de bicicletas, principalmente os de bicicletas infantis, fazem seus pedidos e a Duque não consegue atender a toda a demanda. Isso prejudica muito a nossa produção, essa decisão foi muito negativa. A gente vinha tentando acabar com esse antidumping em Brasília, aproveitando as dificuldades da Duque, mas infelizmente teve essa decisão de prorrogar por mais cinco anos e isso só prejudica”, lamentou Tarciso, acrescentando que já estão faltando bicicletas no mercado brasileiro.
Ele acrescenta ainda que, devido às dificuldades com o fornecedor, a Prince Bike do Norte se viu obrigada a mudar todo o seu processo produtivo, substituindo o item por outro tipo de pedivela similar para não ficar tão dependente desta metalúrgica. Outra fábrica do PIM enviou mercadorias, matérias-primas e funcionários para Joinvile na tentativa de salvar a produção.
Sobretaxa
Além dos atrasos e escassez de peças para a produção das bicicletas, outro problema provocado pela falta de concorrência no setor é a própria lei do mercado, ou seja, com a concentração da produção em poucos fornecedores, os clientes ficam sem opções e acabam tendo que pagar preços abusivos. De acordo com o supervisor, a empresa que decidir não fazer negócio com a Metalúrgica Duque, terá de comprar os pedivelas chinesas das mãos de atacadistas, pagando mais que o dobro do preço.
“Quem vende essas peças no Brasil são os atacadistas. Eles cobram um absurdo por cada pedivela. Eles pagam os impostos antidumping e elevam o preço final. Enquanto na Metalúrgica Duque nós pagamos R$ 5 ou R$ 6 pelas pedivelas, os importadores cobram R$ 13”, disse.
O Jornal do Commercio entrou em contato com a Metalúrgica Duque de Joinvile, mas a pessoa que atendeu à ligação disse não estar autorizada a dar informações.
Números
De acordo com os Indicadores da Suframa, em 2012 a produção de bicicletas no PIM foi de 913.145 unidades, com faturamento de US$ 153,7 milhões. Já este ano, a produção até julho apresentou queda de 7%, atingindo a marca de 472.391 unidades e faturamento de US$ 83,9 milhões.
Entenda o caso
A resolução nº 75 da Camex (Câmara de Comércio Exterior) prorroga a sobretaxa, por até cinco anos, às importações da China de pedivelas fauber monobloco, para bicicletas classificadas no item 8714.96.00 da NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul). O governo monitorará por um ano, em intervalos quadrimestrais, a produção das pedivelas pela indústria nacional para aferir o volume de produção, de vendas no mercado interno e o grau de utilização da capacidade instalada.







