Menor PIB entre os emergentes

Em: 9 de outubro de 2013
Projeção do FMI aponta que o país deverá manter aperto monetário em 2014
Projeção do FMI aponta que o país deverá manter aperto monetário em 2014

O FMI (Fundo Monetário Internacional) manteve ontem a projeção de crescimento econômico para o Brasil neste ano, em 2,5%, mas reduziu a estimativa para o próximo ano, de 3,2% para 2,5%. Com isso, o Brasil ocupa a última colocação entre os países emergentes em 2014.
Segundo a entidade, a inflação mais alta reduziu a renda real dos brasileiros e pode pesar sobre o consumo, que vem segurando o crescimento da economia do país nos últimos anos. Ainda de acordo com o FMI, as eleições presidenciais em 2014 podem atrapalhar o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto).
Em relatório divulgado nesta terça-feira (8), a instituição aponta o Brasil entre os países, ao lado de Índia e Indonésia, que devem continuar com o aperto monetário, “para enfrentar a continuidade de pressões inflacionárias causadas por restrições de capacidade”, as quais tendem a ser reforçadas pela recente desvalorização do câmbio.
Para melhorar as perspectiva de expansão do PIB (Produto Interno Bruto), o FMI destaca a importância de o Brasil remover barreiras ao investimento, mesma tarefa que cabe à Índia. O documento diz ainda que o país está entre os emergentes que precisa “reconstruir o espaço fiscal”, sendo desejável tomar passos decisivos nessa direção, dado o fato de que a dívida pública já é elevada.
Mesmo depois de reduzir a previsão de 2014 para 2,5%, a projeção do Fundo segue superior à mediana das instituições ouvidas semanalmente pelo BC (Banco Central), que aponta uma expansão de 2,2%. A estimativa do FMI para 2013 ficou em linha com o projetado pelo mercado, de 2,47%.
No relatório Panorama Econômico Mundial (WEO, na sigla em inglês), o FMI não esmiuça os motivos que levaram à revisão da estimativa de crescimento para 2014. Diz que o Brasil e outros emergentes como China, Índia e África do Sul mostram uma perda de fôlego em parte devido a fatores cíclicos e em parte a fatores estruturais.
No caso de Brasil e Índia, gargalos regulatórios e de infraestrutura desaceleraram o crescimento da oferta num cenário de uma demanda doméstica ainda forte. “Como resultado, pressões externas aumentaram nessas economias”. No caso do Brasil, o deficit em conta corrente vem crescendo, atingindo 3,6% do PIB nos 12 meses até agosto. O FMI projeta um rombo de 3,4% do PIB em 2013 e de 3,2% do PIB em 2014.
Ao tratar das perspectivas para o crescimento da economia brasileira neste ano, o FMI diz que “a recente desvalorização do câmbio vai melhorar a competitividade externa e compensar parcialmente o impacto adverso dos aumentos dos rendimentos dos títulos soberanos”. A inflação mais alta, contudo, reduziu a renda real e pode pesar no consumo, enquanto restrições de oferta e incertezas sobre políticas podem continuar a restringir a atividade, afirma o relatório.
Segundo o Fundo, o crescimento do Brasil na primeira metade do ano melhorou devido ao “investimento mais forte, incluindo estoques”. No entanto, observa, indicadores de alta frequência –não mencionados explicitamente –apontam para alguma moderação da atividade na segunda metade do ano.

Dívida pública

Ao dizer que alguns países precisam reconstruir a margem de manobra fiscal, o FMI nota que em economias como Brasil, China e Venezuela houve aumento de “riscos contingentes ao orçamento e à dívida pública” decorrentes de elevações substanciais em “atividades quase-fiscais e nos deficit” que reforçam a necessidade de agir para ter mais espaço nas contas públicas. É uma referência, no caso brasileiro, aos empréstimos do Tesouro para os bancos públicos como o BNDES, que deve ser mais detalhada no Monitor Fiscal, a ser divulgado hoje.
O relatório também traz as estimativas do Fundo para a inflação neste ano e no ano que vem, mas considerando a variação média em cada ano. Para 2013, a taxa é de 6,3% e para 2014, de 5,8%. Por esse critério, a inflação do ano passado ficou em 5,4%.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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