Abraciclo aponta queda de 4,7%

Em: 10 de outubro de 2013
Entidade teme que baixas vendas possam gerar desemprego nas fábricas do PIM
Entidade teme que baixas vendas possam gerar desemprego nas fábricas do PIM

Abrindo a edição de número 12 do Salão de 2 Rodas em São Paulo, a Abraciclo (Associação Brasileira dos fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) divulgou na última terça-feira (8) seu balanço trimestral. Os números apresentados não são muito animadores para o Polo de Duas Rodas que já se acha cambaleante. Os resultados oscilam de mês a mês e de ano a ano, fazendo com que o setor busque os responsáveis. O levantamento feito pela Associação mostra que no mês de setembro de 2013 o setor fechou com 150.121 motocicletas fabricadas, 14,6% superior ao mesmo período do ano passado (130.940). Mas comparando ao mês de agosto quando foram produzidas 157.477 unidades, se vê uma queda de 4,7%.
Outro ponto alto foi o das vendas no atacado, que subiram 10,7%, indo de 129.011 em agosto para 142.871 unidades no mês seguinte. Apesar do número positivo (quando comparado mês a mês), o quadro se inverte em comparação ao ano passado. As vendas acumuladas no atacado, registram queda de 7,2%, indo de 1.283.929 para 1.191.090 unidades. Na contramão desses resultados, os números do mês de setembro no varejo apontam uma queda de 8,8%, em relação a agosto. O resultado foi obtido usando os números de licenciamento registrados pelo Denatran. A Abraciclo enumera entre outros fatores para a queda, o número de dias úteis de setembro (21), um a menos que agosto. Já comparando com o setembro do ano passado, o aumento no número de emplacamentos subiu 2,2%, passando de 115.269 para 117.754. Os números de produção também tiveram uma queda de 6,9%, foram produzidas 1.259.300 unidades contaras 1.352.751 motocicletas do ano passado. Mesmo com números baixos em alguns setores, a Abraciclo, comemora a estabilidade das exportações (76.622 unidades no ano passado e 76.961 no mesmo período).
Entre os possíveis responsáveis pelas quedas nas vendas, o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian destaca a inflação e a falta de facilidades nos financiamentos, é com isto que se impacta o consumidor de renda mais baixa. É este segmento que mantém a indústria com 85% das vendas. É este consumidor que sente as incertezas do mercado.” Outro ponto citado foi o da expectativa causada pelos novos modelos lançados que segundo Fermanian “geram especulação e descompasso.”
A baixa produtividade e vendas pode gerar desemprego, principalmente no PIM como lembra Fermanian “é preciso um movimento das fábricas para adaptar os funcionários as novas tecnologias. O mercado é sólido, mas é necessário fazer investimentos e a indústria precisa suportar esse aumento adicional de custo.”
O segmento de bicicletas produzidas no Polo Industrial de Manaus teve alta no mês de agosto, com 90.781 unidades contar 86.388 do mês anterior. Mas igual ao que acontece no setor de motos, ao se comparar com o mesmo período do ano passado, os números tendem a cair, seja nas vendas no atacado (de 109.977 para 88.815, caindo 19,2 %), na fabricação (95,007 para 90.781 totalizando 4,4% de queda). As importações de bicicletas somaram 15.982 unidades em agosto superando as 9.186 do mês anterior (alta de 74%), porém ainda inferior ao mês de agosto de 2012 que fechou com 40.381 bicicletas.

Otimismo

O único segmento otimista é o das motos de alta cilindrada, conhecidas como “Premium”, fabricados para um público mais seleto. Apesar de poucas unidades vendidas, estas representam um novo mercado e um novo público que pode comprar uma chamada “moto dos sonhos” sem se preocupar com créditos e financiamentos. Esse novo segmento aposta em inovação e conforto, o preço a ser pago é alto e nos stands de vendas só se mostram as vantagens.
Algumas destas empresas já produzem no Brasil e veem Manaus como um importante polo, inclusive nacionalizando a produção de componentes, como explica Fermanian “esse é o caminho para novos polos de desenvolvimento, cada vez mais devemos produzir com características brasileiras. E todas as empresas que estão no PIM desejam ficar. Já foi criada uma rede de fornecedores e de logística. Não há razões para deixar Manaus.”
* Repórter viajou a São Paulo a convite da Abraciclo

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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