Efeitos da Selic preocupa comércio

Em: 14 de outubro de 2013
FCDL teme que juros mais elevados no crediário afastem consumidores das lojas
FCDL teme que juros mais elevados no crediário afastem consumidores das lojas

A Selic (taxa básica de juros) cresceu 2,25 pontos percentuais no ano. Aumentou de 7,25%, em abril, para os atuais 9,5%. De acordo com expectativas dos analistas financeiros, “deve aumentar ainda mais” nas próximas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central), no fim de novembro e em meados de janeiro de 2014. Os analistas acreditam que a taxa básica de juros terminará o ano em 9,75% ou 10% e já começa afetando a indústria, o comércio varejista e, nos próximos 15 dias, o consumidor final.
De acordo com o presidente da FCDL-AM (Federação da Câmara de Dirigentes Lojistas do Amazonas), Ezra Benzion Manoa, a medida serve para conter a inflação que, se voltar, poderá causar prejuízo ainda maior na economia. Mas, por ser uma situação delicada, não há nada que se possa fazer a não ser criar atrativos, facilidades e promoções para que o consumidor não deixe de comprar no varejo.
“Nesse momento, estamos com foco no Dia das Crianças, sempre voltado para a questão das novidades em produtos da linha de brinquedos, confecções e artigos relacionados ao público infantil e, assim, minimizar os efeitos negativos do aumento da taxa de juros no varejo local”, avaliou Manoa.
O titular da FCDL-AM acredita que a partir do dia 15 o consumidor final começará a sentir os efeitos da nova Selic nos preços dos produtos eletroeletrônicos, carros, motos, entre outros similares. Mas, também acredita que a solução está na criatividade dos empresários e lojistas.
“Esses artigos disponíveis no varejo vão estar com seus valores afetados pelo aumento da taxa de juros no final da compra a prazo. Mas acreditamos que o comércio e a indústria vão ter muita criatividade para tentar manter o interesse do consumidor”, defende Manoa.

Conselho de Economia

Segundo o presidente do Corecon-AM, Marcos Evangelista o aumento da taxa Selic é, justamente, para frear o cosumo na esperança de conter a inflação. A medida irá impactar no bolso do consumidor final que utilizar os financiamentos bancários. “As taxas bancárias se baseiam na Selic e obviamente, serão majoradas”, afirmou.
Marcos Evangelista acredita que o consumidor de bem final de lojas e supermercados ainda não sentirá o impacta da alta das taxas de juros para esse Dia das Crianças (12). Mas, os grandes compradores que trabalham com dinheiro financiado irão sentir o impacto imediato do aumento da Selic. “As dívidas constituídas com juros prefixados não haverá majoração porque tem a garantia acordada em contrato e não poderá sofrer reajuste, em compensação os novos contratos sofrerão o repasse da nova Selic”, esclareceu Evangelista.
Para o economista Alex Del Giglio, o aumento da Selic está vinculado à política monetária, sobretudo, no sentido de contenção da inflação no Brasil. Além da inflação, Giglio apontou a taxa de câmbio como um problema que se agravou nos últimos tempos, nos Estados Unidos, refletindo no mercado interno brasileiro. “A ideia na verdade é que o aumento na taxa de juros funcione como um freio para o cosumo interno do país”, analisou o economista.
Ainda segundo Del Giglio, a política monetária normalmente tem um reflexo imediato na compra e venda de títulos públicos e não a taxa de juros. “A taxa de juros demora um pouco para o mercado real absorver. Na verdade o mercado absorve até antes dessa nova medida do Copom a economia real demora um pouco”, lembrou.
Mas o economista alerta para o consumidor que haverá um aumento na taxa de juros no crediário. Para o consumidor que compra parcelado com juros, esse vai ter o custo aumentado. Já o consumidor que compra a vista é beneficiado no sentido que: a inflação menor ele consegue preços mais razoáveis. E, sob o ponto de vista do investidor: taxa de juros mais altos, principalmente para investimento de produção é maléfico porque o empresário acaba não sendo estimulado a produzir. O lucro teria que ser muito alto para compensar o risco.
“Então o governo estimula o empresário a investir no mercado de capitais e não investir em produção que é uma forma de conter a inflação”, alertou Del Giglio.

Conclusão

O consumidor que compra parcelado será penalizado porque vai ter um crédito mais caro. O consumidor que compra a vista normalmente é beneficiado porque a inflação é menor e o bem acaba se tornando mais barato, isso sob a ótica do consumidor. O investidor em produção é prejudicado porque taxas de juros mais altos traz a necessidade de obter um lucro maior. “Para compensar essa situação de acomodação, a pressão da medida do Copom faz com que o empresário investidor não seja estimulado a produzir e fique, por exemplo, em casa aplicando seus recursos no mercado financeiro”, conclui Alex Del Giglio para o Jornal do Commercio.

Medida influenciou dívida imobiliária

A ata da penúltima reunião do Copom (dias 27 e 28 de agosto) já manifestava a tendência de a autoridade monetária manter o processo de alta da Selic. No dia 9, o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) reafirmou a disposição de dar continuidade à elevação da taxa de juros para supostamente impedir o avanço da inflação, que acumula 5,86% nos últimos 12 meses. Na ocasião o colegiado de diretores do BC elevou a Selic de 9% para 9,5% ao ano. Foi o quinto aumento seguido desde abril, dos quais quatro com variação de 0,5 ponto percentual.
Ao final da sétima reunião do ano, o Copom divulgou que “a decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano”. A decisão do Copom foi por unanimidade e sem viés (não pode mudar até a próxima reunião do comitê, marcada para 26 e 27 de novembro).
De acordo com números do Tesouro Nacional, referentes a agosto deste ano, 22,6% da dívida mobiliária federal estavam atrelados à Selic. Com base nesse dado, o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) calcula que cada subida de 0,5 ponto percentual na Selic equivale a acréscimo aproximado de R$ 3 bilhões/ano na dívida pública, transferidos em grande parte para os bancos, que são os maiores credores do Estado.
Com Agência Brasil

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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