A Selic (taxa básica de juros) cresceu 2,25 pontos percentuais no ano. Aumentou de 7,25%, em abril, para os atuais 9,5%. De acordo com expectativas dos analistas financeiros, “deve aumentar ainda mais” nas próximas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central), no fim de novembro e em meados de janeiro de 2014. Os analistas acreditam que a taxa básica de juros terminará o ano em 9,75% ou 10% e já começa afetando a indústria, o comércio varejista e, nos próximos 15 dias, o consumidor final.
De acordo com o presidente da FCDL-AM (Federação da Câmara de Dirigentes Lojistas do Amazonas), Ezra Benzion Manoa, a medida serve para conter a inflação que, se voltar, poderá causar prejuízo ainda maior na economia. Mas, por ser uma situação delicada, não há nada que se possa fazer a não ser criar atrativos, facilidades e promoções para que o consumidor não deixe de comprar no varejo.
“Nesse momento, estamos com foco no Dia das Crianças, sempre voltado para a questão das novidades em produtos da linha de brinquedos, confecções e artigos relacionados ao público infantil e, assim, minimizar os efeitos negativos do aumento da taxa de juros no varejo local”, avaliou Manoa.
O titular da FCDL-AM acredita que a partir do dia 15 o consumidor final começará a sentir os efeitos da nova Selic nos preços dos produtos eletroeletrônicos, carros, motos, entre outros similares. Mas, também acredita que a solução está na criatividade dos empresários e lojistas.
“Esses artigos disponíveis no varejo vão estar com seus valores afetados pelo aumento da taxa de juros no final da compra a prazo. Mas acreditamos que o comércio e a indústria vão ter muita criatividade para tentar manter o interesse do consumidor”, defende Manoa.
Conselho de Economia
Segundo o presidente do Corecon-AM, Marcos Evangelista o aumento da taxa Selic é, justamente, para frear o cosumo na esperança de conter a inflação. A medida irá impactar no bolso do consumidor final que utilizar os financiamentos bancários. “As taxas bancárias se baseiam na Selic e obviamente, serão majoradas”, afirmou.
Marcos Evangelista acredita que o consumidor de bem final de lojas e supermercados ainda não sentirá o impacta da alta das taxas de juros para esse Dia das Crianças (12). Mas, os grandes compradores que trabalham com dinheiro financiado irão sentir o impacto imediato do aumento da Selic. “As dívidas constituídas com juros prefixados não haverá majoração porque tem a garantia acordada em contrato e não poderá sofrer reajuste, em compensação os novos contratos sofrerão o repasse da nova Selic”, esclareceu Evangelista.
Para o economista Alex Del Giglio, o aumento da Selic está vinculado à política monetária, sobretudo, no sentido de contenção da inflação no Brasil. Além da inflação, Giglio apontou a taxa de câmbio como um problema que se agravou nos últimos tempos, nos Estados Unidos, refletindo no mercado interno brasileiro. “A ideia na verdade é que o aumento na taxa de juros funcione como um freio para o cosumo interno do país”, analisou o economista.
Ainda segundo Del Giglio, a política monetária normalmente tem um reflexo imediato na compra e venda de títulos públicos e não a taxa de juros. “A taxa de juros demora um pouco para o mercado real absorver. Na verdade o mercado absorve até antes dessa nova medida do Copom a economia real demora um pouco”, lembrou.
Mas o economista alerta para o consumidor que haverá um aumento na taxa de juros no crediário. Para o consumidor que compra parcelado com juros, esse vai ter o custo aumentado. Já o consumidor que compra a vista é beneficiado no sentido que: a inflação menor ele consegue preços mais razoáveis. E, sob o ponto de vista do investidor: taxa de juros mais altos, principalmente para investimento de produção é maléfico porque o empresário acaba não sendo estimulado a produzir. O lucro teria que ser muito alto para compensar o risco.
“Então o governo estimula o empresário a investir no mercado de capitais e não investir em produção que é uma forma de conter a inflação”, alertou Del Giglio.
Conclusão
O consumidor que compra parcelado será penalizado porque vai ter um crédito mais caro. O consumidor que compra a vista normalmente é beneficiado porque a inflação é menor e o bem acaba se tornando mais barato, isso sob a ótica do consumidor. O investidor em produção é prejudicado porque taxas de juros mais altos traz a necessidade de obter um lucro maior. “Para compensar essa situação de acomodação, a pressão da medida do Copom faz com que o empresário investidor não seja estimulado a produzir e fique, por exemplo, em casa aplicando seus recursos no mercado financeiro”, conclui Alex Del Giglio para o Jornal do Commercio.
Medida influenciou dívida imobiliária
A ata da penúltima reunião do Copom (dias 27 e 28 de agosto) já manifestava a tendência de a autoridade monetária manter o processo de alta da Selic. No dia 9, o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) reafirmou a disposição de dar continuidade à elevação da taxa de juros para supostamente impedir o avanço da inflação, que acumula 5,86% nos últimos 12 meses. Na ocasião o colegiado de diretores do BC elevou a Selic de 9% para 9,5% ao ano. Foi o quinto aumento seguido desde abril, dos quais quatro com variação de 0,5 ponto percentual.
Ao final da sétima reunião do ano, o Copom divulgou que “a decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano”. A decisão do Copom foi por unanimidade e sem viés (não pode mudar até a próxima reunião do comitê, marcada para 26 e 27 de novembro).
De acordo com números do Tesouro Nacional, referentes a agosto deste ano, 22,6% da dívida mobiliária federal estavam atrelados à Selic. Com base nesse dado, o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) calcula que cada subida de 0,5 ponto percentual na Selic equivale a acréscimo aproximado de R$ 3 bilhões/ano na dívida pública, transferidos em grande parte para os bancos, que são os maiores credores do Estado.
Com Agência Brasil







