As mulheres ainda não são maioria entre os empresários brasileiros, mas o número de empreendedoras cresceu 21,4% no período de dez anos. A participação dos homens à frente dos micro e pequenos negócios, por sua vez, subiu 9,8% no mesmo período. De cada dez empresas em atividade no Brasil, três são comandadas pela força feminina.
Esse diagnóstico faz parte do Anuário das Mulheres Empreendedoras e Trabalhadoras em Micro e Pequenas Empresas, elaborado pelo Sebrae em parceria com o Dieese. O estudo analisou o perfil de gênero nos pequenos negócios –aqueles que faturam até R$ 3,6 milhões por ano –entre os anos de 2001 e 2011.
A região Norte foi a que teve o maior crescimento de mulheres empreendedoras no país. Em dez anos, o número de mulheres que montou um negócio cresceu quase 80%. A região Centro-Oeste apareceu em segundo lugar, com 43%. Para o presidente do Sebrae, Luiz Barretto, esse resultado comprova uma tendência que vem surgindo nos últimos anos. “Há algumas décadas, o avanço feminino no mercado de trabalho é percebido em frentes variadas e não poderia ser diferente no empreendedorismo”, observa.
Em Manaus
No Amazonas, muitas mulheres vêm se destacando no mundo dos negócios. Estão comandando shoppings centers, centros comerciais, indústrias, instituições de ensino e têm se destacado, ainda, em pesquisas, estudos e até mesmo na política. Em Manaus, a microempresária Hérika Graça Nogueira que cuida de uma fábrica de panelas, tomou a frente do negócio de família, contabiliza sucesso, mas ainda reclama de preconceito social.
“O exemplo veio de casa, meus pais tinham negócios próprios, cada um cuidava do seu. Eu comecei assim, acompanhando meu marido. Tornei-me sócia e hoje sou eu quem trata de toda a parte burocrática da empresa. Meu marido cuida da produção, mas todos os trâmites comerciais são conduzidos por mim.”
Apesar da condução da empresa, Hérika ainda vê dificuldades em ser bem aceita como chefe, principalmente por funcionários homens “trato diretamente com 17 homens e três mulheres, mas percebo que eles, os homens, tem mais ouvidos para o meu marido, eu preciso me impor às vezes. Não há desrespeito da parte deles, mas estes não aceitam com facilidade ter uma mulher como chefe. É uma questão cultural que está sendo mudada.”
A busca por melhor capacitação é uma característica das novas empreendedoras “procuro sempre melhorar e inovar na gestão da empresa. Agora pretendo fazer cursos voltados para a área de contabilidade. Isso evita com que eu pare de fazer o que faço para contratar um contador. Assim também ganho maior intimidade com o negócio,” fecha Hérika.
Negócio próprio
O estudo também revela que as mulheres que estão montando o seu próprio negócio são bastante jovens: 41,3% têm entre 18 e 39 anos e 52% têm entre 40 e 64 anos. Além disso, cerca de 40% delas são chefes de família, sendo que a maioria (70%) tem ao menos um filho. “Como empresárias, elas conseguem conciliar melhor o trabalho com os cuidados da casa e dos filhos. Quase metade dessas mulheres são as únicas responsáveis pela educação de seus descendentes e isso não as impede de empreender com dedicação”, destaca Barretto.
Para o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, há uma clara mudança na participação da mulher na vida econômica, mas ainda há mais por vir. “Será preciso um conjunto de outras transformações na vida pública e política com a presença das mulheres nos negócios, mas a situação precisará mudar também dentro dos lares, no que trata da divisão de tarefas domésticas, do cuidado com os filhos e das atribuições da vida familiar. As mulheres promoverão transformações no mundo dos homens e a sociedade toda irá se beneficiar”, acredita Clemente Ganz.







