A taxa de câmbio recuou para o seu menor nível desde o dia 24 de março de 2000, nos últimos negócios de ontem. O dólar comercial foi cotado a R$ 1,737 para venda, em declínio de 0,96%.
Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado a R$ 1,850 (venda), em baixa de 1,06% sobre a cotação final de terça-feira.
Os participantes do mercado financeiro operaram à espera da reunião do Federal Reserve (BC dos EUA), que anunciou às 16h15 a nova taxa básica de juros americana: 4,50% ao ano, ante 4,75%.
Para economistas, o distanciamento entre os juros americanos e brasileiros -a taxa básica do país é de 11,25%- pode atrair mais recursos para o país e derrubar ainda mais a taxa de câmbio.
Para Nélson Moraes, geren-te de câmbio da corretora Fluxo, a decisão do Fed deve ter efeito limitado sobre as operações de hoje. “Foi sem surpresas: pelo menos 90% do mercado esperava o corte desse tamanho. Agora, a tendência da moeda ainda é de queda”, avalia.
Comprados e vendidos
Ontem foi o dia final para a disputa entre “comprados” e “vendidos” pela Ptax, a taxa oficial de câmbio calculada pelo Banco Central. A Ptax do final de mês é a referência para a liquidação de uma série de aplicações financeiras negociadas no mercado futuro de dólar, na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros).
Por isso, no último dia útil do mês, costuma ocorrer uma “queda de braço” entre investidores no mercado à vista, conforme interesse ao investidor que a cotação suba ou caia.
Desta vez, a vitória foi dos “vendidos”, jargão do mercado para investidores que ganham com a queda das cotações da moeda americana.
“Aconteceu o esperado. Quem vende está sempre ganhando nesse mercado”, comenta Moraes, da mesa de operações da Fluxo.
O mercado futuro de juros, que baliza as tesourarias dos bancos, mostrou cautela, com poucas variações nos contratos com vencimentos em 2008, 2009 e 2010.
Entre os contratos mais negociados, a taxa projetada para abril de 2008 cedeu de 11,16% para 11,15%; no contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada passou de 11,35% para 11,36%; no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada foi mantida em 11,54%.
Bovespa fecha em alta
A Bolsa de Valores de São Paulo encerrou os negócios de ontem batendo seu 42º recorde deste ano e o terceiro do mês. O mercado acionário brasileiro reagiu positivamente à decisão do Federal Reserve, que reduziu os juros americanos. A decisão, no entanto, ao contrário das reuniões anteriores, não foi unânime, o que gerou algum estresse no mercado, que interpretou o “racha” como um sinal de que o ciclo de cortes dos juros americanos pode parar neste mês.
O Ibovespa, “termômetro” dos negócios na Bolsa, avançou 1,45%, aos 65.317 pontos. O volume financeiro foi alto: R$ 6,32 bilhões. Trata-se da maior média diária mensal deste ano.







