O chanceler Celso Amorim garantiu que “não sacrificará” o Mercosul nas negociações da OMC (Organização Mundial do Comércio) e insiste na necessidade de que certas flexibilidades sejam dadas para que os países do bloco também aceitem os termos de um acordo em Genebra, na Suíça. “O Mercosul é um objetivo político relevante para o Brasil, assim como a União Européia o foi para a França e Alemanha após a Segunda Guerra Mundial. Por isso, não vamos sacrificar o Mercosul”, disse.
O Mercosul apresentou há poucos dias em Genebra um documento pedindo que o setor industrial continuasse a ser protegido em vários setores. “Todas sensibilidades dos países ricos estão sendo levadas em conta no setor agrícola. Não podemos aceitar que as nossas não sejam.
Isso não é justo”, completou Celso Amorim
O chanceler rejeita o argumento de que o Brasil estaria se “escondendo” atras do Mercosul para manter suas tarifas elevadas no setor industrial. “O que pedimos não é muito”, argumentou o ministro.
O governo do Uruguai hesitou em apoiar o documento, mas acabou aderindo ao pedido. Amorim insistiu que o Mercosul não está dividido. Já a Venezuela quer um tratamento com ainda mais privilégios e que a liberalização em sua economia seja mínima.
Exportação de petróleo
Para justificar essa situação, Caracas alegou que se a exportação de petróleo for excluída de sua balança comercial, o país teria um perfil equivalente ao grupo de “economias pequenas e vulneráveis”. Pelas propostas na OMC, esse grupo de países não teriam de fazer concessões expressivas.
Na quarta-feira, Amorim manteve reuniões com representantes dos países emergentes em Genebra para garantir a mobilização do grupo na fase final das negociações. Em meados de novembro, a OMC deve divulgar seu último rascunho de como deve ser um acordo final. Antes, Amorim quer reunir os ministros desses países para mandar um recado político forte de que as economias em desenvolvimento não aceitarão um acordo que gere regras injustas de comércio. “Será nossa chance de ter nossa voz ouvida”, afirmou o chanceler.
Acordo implícito
Amorim reconheceu que várias delegações de países emergentes estavam céticas em relação a um acordo. Durante o encontro de terça-feira, ficou claro ainda que os países emergentes já identificaram que haveria um acordo implícito entre os Estados Unidos e a União Européia no que, para eles, deve ser um acordo final da OMC.







