Especialistas acreditam que o ciclo de alta na taxa básica de juros, a Selic, deve ser encerrada em janeiro, quando Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central), provavelmente, vai realizar mais uma elevação. Para o diretor de Pesquisas Econômicas do Bradesco, Octavio de Barros, a Selic deve chegar a 10,25% ao ano em janeiro e permanecer nesse patamar. Para ele, a inclusão da referência ao início do ciclo no comunicado que se seguiu ao término da reunião do Copom na quarta-feira (27), reforça essa percepção.
O resultado da reunião do colegiado em si, que se encerrou com elevação da Selic em meio ponto porcentual para 10% ao ano, não representou uma surpresa para o diretor do Bradesco por ter vindo exatamente dentro do esperado. Surpreendeu, sim, de acordo com ele, as mudanças no comunicado. “Sem surpresas na decisão, mas com mudanças no comunicado, a reunião de ontem do Copom reforça a nossa expectativa de que o ciclo da Selic será encerrado em 10,25%, em janeiro”, escreveu o diretor do Bradesco.
Análise
Barros reiterou que o complemento que vinha aparecendo nos quatro comunicados anteriores foi suprimido. Tal complemento, que veio com decisões de 0,5 ponto porcentual, dizia que “o Comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano”. De acordo com ele, uma leitura possível a partir dessa supressão é a de que o processo de declínio da inflação, desejado nos movimentos anteriores do Comitê, agora está mais próximo ou garantido, sob a ótica do BC.
“Acreditamos que a alteração no comunicado é compatível com o nosso cenário de apenas mais uma alta de 0,25 ponto porcentual (levando a taxa básica a 10,25%) no encontro dos dias 14 e 15 de janeiro. Julgamos que seja pouco provável observarmos movimentos adicionais a partir de então, ainda que ao passo de 0,25 ponto porcentual”, avaliou o diretor do Bradesco.
“Para nós, não faria muito sentido avançar o ciclo ao ritmo de 0,25 ponto porcentual depois de um ajuste total de 3 pontos porcentuais (a ser alcançado em janeiro, a partir de uma taxa de 7,25%), o que constitui uma magnitude relativamente forte (menor apenas do que o ajuste de 3,75 pontos no ciclo de 2004-2005) para afetar a atividade econômica, cujos dados mais recentes (ocupação, estoques industriais e a contração estimada para o PIB do terceiro trimestre) já têm mostrado sinais de fragilidade”.
Esse quadro traçado por Barros tende a favorecer, segundo ele, a convergência da inflação, ainda que esse processo não ocorra no ano calendário. “Portanto, o aumento de 0,25 ponto porcentual na próxima reunião terá o papel de ‘acabamento’, depois um trabalho de magnitude razoável”, avaliou o economista e diretor do Bradesco.






