A companhia distribuidora de gás no Amazonas, Cigás, acusa a Petrobras de tentar descumprir um acordo de cooperação firmado entre a empresa, a estatal, a Eletrobras e o governo do Amazonas para a exploração das reservas de gás natural do Campo Azulão, localizado entre os municípios amazonenses de Silves e Itapiranga. O impasse surgiu após a Petrobras desenvolver um projeto que exclui a Cigás na construção e implantação de uma termelétrica no município, que será interligada ao Linhão de Tucuruí.
A Cigás informou, por meio de sua assessoria, que cabe ao Estado a prerrogativa da distribuição do gás produzido em Azulão. Além disso, ele afirma que, por força do acordo, qualquer projeto desenvolvido na área deverá contar com a participação de todos os seus signatários. No entanto, a Petrobras vem tentando “isolar a Cigás e fazer o que bem entende explorando a área sozinha”. Além disso, ele reclama do valor oferecido pela Petrobras pela exploração do local.
“No contrato, a concessão de distribuição do gás do Estado é da empresa amazonense. A Petrobras pode descobrir a quantidade de gás que descobriu em Azulão, mas na hora de distribuir ela precisa da nossa parceria. Ela não pode chegar com a Cigás e dar uma mixaria, um ‘cala a boca’ e tocar sozinha. Precisamos ver qual é a participação da Cigás, de maneira conversada”, afirmou Sirlam.
Diálogo
O assessoria enfatiza que a Cigás defende o cumprimento do contrato e a busca pelo diálogo. Mas reitera que a petroleira não tem aberto espaço para conversas, apesar dos convites feitos pela empresa para tentar resolver o imbrólio.
“A Petrobras não vem sentar conosco para, por exemplo, definir uma tarifa para a Cigás. Algo do tipo: de tudo que a Petrobras vender, X é da Cigás. Ela não estipula preço nenhum, quer que nós assinemos um contrato sem nenhum valor estabelecido. Ninguém está impondo nada, mas ela precisa chamar a Cigás para chegar a um consenso, e não mandar um documento para a Cigás assinar de qualquer forma. Nós estamos abertos. Já fomos ao Rio de Janeiro conversar. Já procuramos a ANP (Agência Nacional do Petróleo) para tentar intermediar um diálogo e não conseguimos. Estamos lutando pelo diálogo”, defendeu a assessoria.
Vale ressaltar que o impasse só existe no poço de Azulão, enquanto todo o gás que vem de Urucu está absolutamente acertado desde o início em relação ao preço e ao percentual destinado à Cigás.
A reportagem tentou ouvir a Petrobras sobre o assunto, mas até o fechamento desta edição, não houve resposta.






