A América Latina “é uma região que está vivendo um crescimento econômico muito chamativo” motivada pela ascensão da Ásia, explicou na segunda-feira à agência de notícias Efe o responsável do relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvi-mento Econômico) sobre a América Latina, Javier Santiso. O relatório será apresentado quarta-feira, em Santiago do Chile.
A OCDE mantém uma relação particular com o Brasil, que figura em um grupo de cinco países com os quais vão ser reforçados os vínculos, o que poderia constituir um primeiro passo para uma eventual abertura de negociações de acesso no futuro.
Santiso especificou que para aproveitar essa conjuntura propícia, a América Latina tem que resolver uma série de desafios, e destacou em parti-cular que “a legitimidade fiscal é muito importante para a legi-timidade democrática”.
A reforma tributária tem que se traduzir em “arrecadar mais, mas também gastar melhor”, ou seja, que “é preciso melhorar a eficácia da despesa” para que todos os setores da população, e de forma especial os mais pobres, sintam que o investimento público é útil para eles, argumentou.
Se não se consegue essa eficiência no investimento e nessa legitimidade, corre-se o risco de uma radicalização do eleitorado no próximo ciclo eleitoral, advertiu o responsável da OCDE.
A apresentação do lançamento mundial do relatório em Santiago será feita pelo secretário-geral da OCDE, o mexicano Ángel Gurría, que representará a organização durante a Cúpula Ibero-Americana que vai ser realizada no Chile entre os dias 8 e 10 deste mês. A visita de Gurría tem uma significação particular se for levado em conta que desde a última primavera o Chile figura no grupo de cinco países com os quais foi aberto o processo de negociação para sua entrada na OCDE.
A Organização, que reúne os países mais industrializados do mundo, não realizou o convite formal de adesão ao Brasil durante a reunião anual de seu conselho ministerial, realizada em maio, em Paris.
A OCDE anunciou o convite para que o Brasil e mais quatro países -China, Índia, Indonésia e África do Sul- reforcem as relações com a organização para uma possível adesão. O anúncio foi feito pelo presidente da reunião, ministro espanhol da Economia e Finanças, Pedro Solbes.







