Alta do gasto público deve ser a menor em 10 anos

Em: 26 de fevereiro de 2014
Para cumprir a meta fiscal almejada, o governo precisa reduzir o crescimento de suas despesas para o menor nível dos últimos dez anos
Para cumprir a meta fiscal almejada, o governo precisa reduzir o crescimento de suas despesas para o menor nível dos últimos dez anos

Para cumprir a meta fiscal almejada, o governo precisa reduzir o crescimento de suas despesas para o menor nível dos últimos dez anos. Na semana passada, o governo anunciou que pretende economizar o equivalente a 1,9% do PIB.
Mas muitos economistas ainda duvidam do cumprimento do objetivo em pleno de ano de eleições e com menor crescimento econômico (que reduz a arrecadação de impostos).
Os economistas do Itaú Unibanco preveem, a partir de informações de hoje, que o governo só conseguirá economizar o equivalente a 1,3% do PIB.
Para alcançar esta marca, as despesas do governo (já descontada a inflação) não podem crescer mais do 4% neste ano. No ano passado, elas cresceram 6,4%.
Para fazer mais do que isso, ou seja, atingir a meta de economia anunciada, o governo teria que conter ainda mais o crescimento das despesas, para algo ao redor de 3% neste ano.
Isso não ocorreu nos últimos dez anos e só foi alcançado em 2003, quando os gastos aumentaram 1,3%, na ressaca de um forte ajuste em decorrência da crise de confiança de 2002. Naquele ano, o dólar disparou e a inflação chegou a 12%, com o medo do mercado de que Lula, se eleito, fizesse mudanças drásticas na política econômica.

Dúvidas

Essa previsão de aperto, inédita em 10 anos, leva os economistas do banco a terem dúvidas sobre o cumprimento da meta de economia pelo governo.
“Se vier [a economia de 1,9% do PIB], virá com receitas extraordinárias. E, mesmo com receitas extraordinárias, será extraordinário alcançar 1,9%”, afirmou o economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, em evento com jornalistas hoje.
O economista disse, contudo, que sua projeção poderá ser ajustada à medida que o governo consiga entregar a meta todo o mês.
Segundo ele, isso também teria força para criar uma atmosfera mais positiva, entre os investidores, com o Brasil.
As taxas de juros de longo prazo poderiam cair, diz ele, e a inflação (mais alta) esperada para os próximos anos poderia ceder. Isso afastaria o risco de rebaixamento da nota de crédito do país pelas agências de classificação de risco. “Não tem nada mais importante agora do que entregar todo o mês o fiscal”, disse.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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