Após quatro anos, pesquisadores do Inpa/MCTI (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) concluíram um inventário que mensura o volume de carbono retido na floresta amazônica. De acordo com as pesquisas, em média, em um hectare de floresta primária há aproximadamente 167,7 toneladas (com um intervalo de erro de 6,5 toneladas de carbono, o que equivale a um IC (Intervalo de Confiança) de 95%). Baseado nesses dados, os pesquisadores estimam haver na Amazônia, um depósito que gira em torno de 24,2 a 26,1 bilhões de toneladas de carbono.
O carbono é um dos gases causadores do efeito estufa, porque absorve e impede que parte da radiação infravermelha emitida pelo Sol e refletida na terra, escape para o espaço. O efeito estufa é um fenômeno natural e possibilita a vida na Terra ( caso contrário, o planeta seria muito frio). O problema é o aumento desses gases na atmosfera que resultam em uma camada de bloqueio muito grande da radicação que deveria retornar ao espaço e, com a retenção maior da radiação, aumenta naturalmente a temperatura na Terra.
“O maior volume de carbono estão nos troncos das árvores. Estudos destrutivos (corte e pesagem das árvores) indicam que 73% do peso de uma árvore está acima do solo (destes: 69,2% tronco; 16,9% galhos finos, com menos de 10,0 cm de diâmetro na base; 10,6% galhos grossos; 3,4% folhas e, quando presentes, 0,4% frutos e flores) e os demais 27% do peso total de uma árvore estão nas raízes”, explicam os pesquisadores Niro Higuchi, Francisco Higuchi e Flavia Durgante, que atuaram no Projeto Dinâmica de Carbono da Floresta Amazônica (Cadaf, sigla em inglês), programa de cooperação bilaterial entre o Brasil e o Japão, uma parceria institucional que envolveu o Inpa, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o Instituto de Pesquisas de Florestas e Produtos Florestais do Japão (FFPRI) e a Universidade de Tókio. O projeto teve o financiamento da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica).
“O projeto Cadaf utilizou uma equação matemática específica de carbono, que mediu o carbono em peso. Mas, conseguimos estimar que, em um hectare de floresta primária, há depositado carbono suficiente para encher sete contêineres. Para efeitos de comparação: Em termos de emissões de CO2 (equivalente) para a atmosfera, é como desmatar o tamanho de um campo de futebol, o que equivale a aproximadamente queimar 120 mil litros de gasolina (2,7 mil tanques de combustíveis de carros médios como pálios, gols e celtas)”, dizem os pesquisadores.
O projeto Cadaf iniciou em 2010 e término em março deste ano. “Do ponto de vista técnico e científico, o Projeto Cadaf cumpriu tudo o que foi planejado em fazer um bom trabalho. Podemos atribuir sucesso absoluto com a execução desse projeto e com produtos realizáveis”, diz o pesquisador do Inpa e coordenador do Projeto Cadaf no Brasil, Niro Higuchi. Os estudos sobre carbono florestal são realizados pelo Inpa desde 1998 e recebeu um grande reforço com os investimentos da Jica.
De acordo com o pesquisador, não basta ter bons produtos, é preciso compartilhar e refletir sobre tudo o que foi discutido e produzido. “Temos aqui uma grande oportunidade que pode ter consequências importantes para esse mecanismo que queremos para a Amazônia que é a implantação de projeto como da REDD+ (Redução de Emissões provenientes de Desmatamento e Degradação Florestal)”, explica Niro Higuchi.
A REDD+ é uma estratégia em discussão na Convenção Quadro de Mudanças Climáticas que oferece incentivos para os países em desenvolvimento reduzirem emissões de gases que provocam o efeito estufa provenientes de florestas e investirem em desenvolvimento sustentável e práticas de baixo carbono. O financiamento virá de países desenvolvidos, dentro da lógica de responsabilidades diferenciadas que rege a Convenção do Clima. Apesar de ainda não fazer parte do atual acordo (Protocolo de Quioto), a REDD+ deve entrar no próximo acordo, previsto para vigorar a partir de 2020.
Reserva de 25 bilhões de toneladas
Em: 5 de junho de 2014
Amazônia estoca patrimônio ambiental imensurável que precisa ser melhor aproveitado
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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