Derrota amplia decepção no varejo

Em: 10 de julho de 2014
Queda nas vendas chegou a 30% em junho e massacre alemão aumentou desânimo de lojistas
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Queda nas vendas chegou a 30% em junho e massacre alemão aumentou desânimo de lojistas

Em Manaus, a xepa da Copa não deve ter segundo tempo. A derrota da seleção brasileira de futebol, nas semifinais da Copa do Mundo, aumentou as chances de piorar ainda mais o resultado negativo das vendas no comércio varejista. O prejuízo chegou a 30% no mês de junho. Segundo a ACA (Associação Comercial do Amazonas) os lojistas estão com os estoques abarrotados de produtos temáticos do Mundial, que só deverão voltar para as prateleiras em 2016 durante a realização das Olimpíadas no Rio de Janeiro e quem sabe também para a próxima Copa da FIFA 2018 na Rússia.
De acordo com o presidente da ACA, Ismael Bicharra Filho, depois da vergonha que a seleção brasileira de futebol fez os torcedores passarem, ainda vai causar efeitos negativos na economia do país e por consequência no comércio local. “A copa não trouxe resultado positivo no comércio isso nós já sabíamos, mas não imaginava que fosse tão ruim. O comércio hoje está amargando quedas assustadoras”, lamentou.
Segundo Bicharra as lojas, em geral, registraram perdas de até 30%, a mesma proporção que a queda nas vendas de automóveis, no mês da Copa. “Nós imaginávamos que os restaurantes e hotéis teriam bons resultados e não foi esse o resultado apresentado. Pontualmente algum restaurante e hotel que ficava em torno dos eventos se beneficiou. Mas o resto, com o grande investimento que tiveram, não houve o retorno esperado”, avaliou.
Para o presidente da entidade de classe o legado que fica da Copa é a visibilidade das cidades-sede para o mundo, na questão do turismo. “O povo hospitaleiro, as melhorias nas ruas da cidade, um policiamento perfeito durante os jogos e a integração entre o governo do Estado e a Prefeitura de Manaus”, concluiu Ismael Bicharra.
Na análise do presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia), Marcus Evangelista, além do comércio não ter atingido o movimento esperado, muitas empresas estão com seus estoques cheios de artigos da Copa. “E com esse fato [da derrota], ainda vai gerar alguns prejuízos, porque essa mercadoria não foi vendida. E agora ninguém vai comprar artigos da Copa, uma vez que o Brasil já perdeu, pelo menos o primeiro lugar já ficou para trás”, comentou.
Para o diretor da empresa Vanmax Atacadista, Moisés Max Israel, a derrota da seleção brasileira de futebol não interferiu diretamente no comportamento do comércio. “Esse desanimo já vem de muito tempo, não foi uma coisa que aconteceu com a derrota, não tem nada a ver”, disse. Ele ainda observou que, mesmo quando o Brasil estava ganhando não serviu para melhorar as vendas. “Não houve algo de significativo nas vendas durante os jogos do Brasil”, constatou.
Por um erro de logística acabou favorecendo o atacadista, que não ficou com mercadoria da Copa encalhada nas prateleiras. Max informou que apesar de não estar com estoque alto de produtos da Copa, não significa que as vendas foram satisfatórias. Ele disse que houve um erro de logística e 50% do pedido de compra desse período não foram atendidos conforme o combinado com o fornecedor estrangeiro. “A minha mercadoria que era pra ter sido toda embarcada, chegou pela metade, então eu não tive sobra. Mas os meus clientes, que também compram em outros mercados, estão com muita mercadoria estocada”, justificou.

Um Brasil despreparado
O processo de início da Copa há quatro anos atrás, a situação do país com a estagnação da economia, a crise no sistema político, tudo isso veio à tona e causou a forte queda nas vendas do produto Copa, sem citar os outros que já estavam parados antes do início do Mundial. “Em outros tempos mesmo que não fosse no Brasil nós teríamos também esse problema. O Brasil por sediar a Copa, por ser realizada em sua casa deveria ter sido duas vezes maior as comemorações e decorações, e que não aconteceu”, disse Max.
O economista explicou que o Brasil já vinha numa crise econômica com uma projeção de PIB (Produto Interno Bruto) quase nula, se comparada com alguns anos atrás e, que o evento da Copa não foi suficiente para mudar esse cenário. “Houve um grande alvoroço inicialmente, uma expectativa enorme, mas vários críticos já vinham dizendo que a economia não ia atingir o aquecimento divulgado pelo governo”, lembrou.
Marcus Evangelista acredita que o Brasil, economicamente falando, não estava preparado para gerenciar um evento dessa natureza. “São muitas as deficiências e, as propostas e promessas de obras que iriam alavancar a economia não ocorreram, então houve uma perda em vários setores, principalmente na parte de comércio e serviços. Infelizmente não foi bom economicamente para nosso Estado”, conclui o economista.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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