No dia seguinte às reeleições da presidente Dilma Rousseff (PT) e do governador do Amazonas José Melo (PROS), o superintendente da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) surpreendeu ao anunciar que formalizou nesta segunda-feira (27) o seu pedido de exoneração da autarquia. Em entrevista ao Jornal do Commercio, Thomaz Nogueira ressaltou que a decisão não tem cunho político e que pretende deixar o cargo até o próximo dia 31 de dezembro.
“As razões são pessoais. Eu já não seguiria mesmo (independente do vencedor das eleições). Desejo sorte e sucesso. Posso ajudar de outra forma, não preciso estar aqui. Há uma série de amazonenses muito capacitados que podem ocupar esse cargo, mas acho que tenho sim a obrigação de suscitar alguns temas. Um dos mais importantes para mim é a questão dos servidores da Suframa. Isso precisa de uma correção imediata”, disse Thomaz.
Apesar de declarar explicitamente apoio à presidente Dilma Rousseff, o anúncio veio envolto a uma troca de críticas entre o titular da Suframa e governo federal. A principal reclamação de Thomaz Nogueira é com relação à condução por parte do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e Mpog (Ministério de Planejamento, Orçamento e Gestão) na reestruturação do plano de salários e carreiras dos servidores da Suframa, firmada em acordo no primeiro semestre deste ano.
“Considerando a consolidação da reeleição da presidente que eu apoio e votei, acho que a minha obrigação é falar sobre esse compromisso dela. Pra mim, não existe dúvidas, sou testemunha do esforço dela na questão da prorrogação, na discussão com a União Europeia, na guerra dos portos tem que perpassar por toda a administração federal. Às vezes, não sei se deliberadamente ou não, esse esforço parece ser boicotado e tem situações que não se resolvem”, reclamou o superintendente. De acordo com Thomaz Nogueira, as reuniões que discutiriam as melhorias salariais aos servidores da Suframa foram sucessivamente adiadas pelos Ministérios, fato que considerou “muito grave”.
Ele afirmou ainda que sua saída do comando da Suframa, não é consequência das críticas feitas pelo secretário-executivo do Mdic, Ricardo Schaefer, durante paralisação dos servidores da Suframa, na última quarta-feira (22). Na ocasião Schafer declarou que a Suframa não conseguiu responder de maneira satisfatória ao acordo firmado entre o Ministério, Suframa e servidores no dia 31 de março, que incluía a flexibilização de horários, capacitação, ampliação de locais –em algumas unidades –para refeição e a valorização dos salários. Segundo Thomaz Nogueira, entre os itens acordados a Suframa cumpriu a parte que lhe cabia, ficando apenas a questão salarial a ser resolvida por Brasília.
“Óbvio que eu não concordo com a manifestação do secretário Schafer, que foi equivocada, mas não tem uma conexão (com a saída). Fizemos dois acordos com o sindicato: um era o acordo salarial. O outro acordo foi uma saída honrosa para o sindicato. Este acordo em paralelo está sendo construído ponto a ponto, o que está causando as demandas dos servidores. Se eu atendesse a todos os aspectos do acordo de melhorias eles não paralisariam? Paralisariam porque a questão salarial não foi atendida”, acredita.
Ainda na tarde de ontem, o governador José Melo declarou que a saída do Thomaz da Suframa será um golpe muito grande para a Zona Franca e para todo o Amazonas. O governador destacou o papel do Superintendente na prorrogação do modelo por mais 50 e afirmou que tentará convencê-lo a permanecer no cargo.
“Considero o Thomaz um dos técnicos mais competentes que eu já conheci. Na prorrogação da Zona Franca de Manaus ele foi de forma anônima fundamental nas costuras que fizemos com o resto do Brasil em relação à prorrogação da Lei de Informática por mais 10 anos. Ele foi nosso interlocutor, a voz técnica que todo mundo ouviu. Espero que ele repense. Espero que o governo federal também tenha sua participação porque a saída do Thomaz será um grande desserviço para esse novo horizonte da ZFM. Se depender de mim e de meus argumentos, Thomaz continuará por lá”, defendeu Melo.
Nogueira pede exoneração da Suframa
Em: 28 de outubro de 2014
Superintendente da Suframa pediu exoneração e pretende deixar o cargo até 31 de dezembro
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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