Indústria espera ajustes do governo

Em: 28 de outubro de 2014
Empresários cobram mudanças na política econômica prometida pela presidente Dilma
https://www.jcam.com.br/FOTO_28102014 A8.jpg
Empresários cobram mudanças na política econômica prometida pela presidente Dilma

A expectativa de lideranças empresariais é de mudanças no próximo mandato da presidente Dilma Rousseff, depois da vitória apertada sobre Aécio Neves nas eleições do último domingo. O presidente da Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção), Walter Cover, disse que o governo terá condições de realizar ajustes em sua política econômica. Ele considerou positiva a reeleição da petista e destacou a possibilidade de criação de uma nova faixa de renda atendida pelo programa Minha Casa Minha Vida.
“Para a construção o resultado das eleições foi positivo e devemos voltar a crescer já em 2015,” disse Cover em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. Neste ano, a Abramat prevê um recuo do setor de material de construção de até 4%.
Na avaliação da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) a presidente Dilma Rousseff está disposta a promover mudanças na política econômica durante o segundo mandato. Em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o presidente executivo da entidade, José Velloso, disse nesta segunda-feira (27), acreditar que o principal objetivo da petista neste segundo mandato será retomar o crescimento da economia brasileira. Para ele, as sinalizações dadas durante o discurso da vitória neste domingo já foram um “recado”, mas o “sinal concreto” de mudança será dado por meio do anúncio da nova equipe econômica.
O presidente da Abramat destacou a ampliação do Minha Casa Minha Vida, prometida por Dilma em sua campanha, como um importante motor de crescimento para o setor. Ele afirmou também que pode ser criada uma faixa intermediária, para reduzir o custo de financiamento para quem recebe menos de R$ 3.100,00.
Durante a disputa eleitoral, Dilma afirmou que iria aumentar o ritmo de construção de moradias populares, de R$ 450 mil por ano para cerca de R$ 800 mil. Segundo Cover, esse crescimento deve dobrar a demanda do programa por materiais de construção. O presidente da associação lembrou também que, em reunião com entidades do setor, Dilma sinalizou que o governo concentraria sua atenção na construção de casas para famílias com renda até R$ 1.600, a chamada faixa 1 do Minha Casa Minha Vida.
Para Cover, o governo precisa acabar com o clima de desconfiança na economia, ampliar as parcerias com o setor privado e ajustar os níveis do câmbio e dos juros. Medidas que, segundo ele, já foram sinalizadas pela presidente durante sua campanha e em seu discurso após a vitória. “Acho que o governo Dilma está preparado para tratar desses assuntos”, afirmou o presidente da associação. “O governo, no nosso entendimento, vai cuidar de uma maneira diferente da economia.”
De acordo com Cover, o segundo mandato da presidente deve ser marcado pela participação cada vez maior do setor privado nos investimentos de infraestrutura por meio de parcerias com o governo, o que deve aumentar o número de obras marcadas para os próximos anos.
“Vejo com otimismo o discurso dela porque foi uma eleição muito disputada. O discurso de unir o país foi no rumo correto”, avaliou. Velloso defende que a retomada do crescimento econômico só será possível por meio do incentivo à indústria, setor citado pela presidente em sua fala. De acordo com o dirigente, o governo terá de “mudar a equação”, passando a gerar emprego na indústria, ao mesmo tempo em que deve torná-la mais competitiva. “Se continuar gerando empregos de baixo valor agregado, não vamos ter crescimento do PIB. O que agrega valor é indústria”, afirmou.
Para tornar a indústria mais competitiva, ele avalia que a presidente Dilma deve combater principalmente o chamado “custo Brasil”, composto, entre outros fatores, pelo câmbio, juros, tributos, infraestrutura e logística, energia elétrica e burocracia. No caso do câmbio, Velloso afirma que o mais importante é mudar a política do BC (Banco Central) de intervir diariamente no valor do dólar por meio dos leilões de swap cambial. “Ela vai ter que liberar o câmbio”, afirmou, prevendo que, com essa liberação, o dólar deve se estabilizar entre R$ 2,60 e R$ 2,80.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar