Cartel fica fora da Petrobras

Em: 31 de dezembro de 2014
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Petrobras bloqueia negócios com empresas citadas em formação de cartel

A Petrobras anunciou o bloqueio cautelar de empresas de grupos econômicos citados
como participantes de cartel em depoimentos à 13ª Vara Federal do Paraná e que tiveram executivos
e ex-executivos presos em novembro, em mais uma fase da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Em razão do bloqueio, as empresas ficarão temporariamente impedidas de ser contratadas e de participar
de licitações da estatal. A Petrobras também aprovou a criação de comissões para Análise de Aplicação de Sanção Administrativa. Segundo nota da estatal, a adoção de medidas cautelares tem o objetivo de
“resguardar a empresa e suas parceiras de danos de difícil reparação financeira e prejuízos
à sua imagem”. De acordo com a Petrobras, as empresas serão notificadas do bloqueio e será
respeitado o direito ao contraditório e à ampla defesa. A medida abrange os grupos Alusa, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Carioca Engenharia, Construcap, Egesa, Engevix, Fidens, Galvão Engenharia,
GDK, IESA, Jaraguá Equipamentos, Mendes Júnior, MPE, OAS, Odebrecht, Promon, Queiroz Galvão, Setal, Skanska, Techint, Tomé Engenharia e UTC. Segundo a Petrobras, foram levados em conta depoimentos do ex-diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, do doleiro Alberto Yousseff, de Júlio Gerin de Almeida Camargo, do grupo Toyo, e de Augusto Ribeiro de Mendonça
Neto, do grupo Setal. A estatal declarou que “reitera seu compromisso pela ética e transparência nos seus negócios e a necessidade de adoção de medidas consolidadas no Manual do Programa Petrobras
de Prevenção da Corrupção”. As decisões foram tomadas após reunião da Diretoria Executiva da Petrobras nessa segundafeira (29). Balanço A Petrobras informou nesta segunda-feira (29) que vai divulgar, em janeiro, o balanço do terceiro trimestre de 2014. O documento, porém, será divulgado
sem o relatório de revisão da PwC, que faz auditoria externa nas contas da empresa. “Com esse prazo, a companhia estará atendendo suas obrigações dentro do tempo estabelecido pelos seus contratos
financeiros, considerados os períodos de tolerância contratuais aplicáveis, e de modo a
evitar o vencimento antecipado da dívida pelos credores”, informou em comunicado. A estatal está atrasada com a entrega do balanço porque, uma vez conhecidas as denúncias da Operação Lava Jato,
a PwC determinou à empresa dar baixa nos valores dos investimentos em ativos inflados por propinas.
As denúncias começaram a ser reveladas com o depoimento
do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa à Justiça, em outubro. Ele afirmou ter existido na empresa o funcionamento de um cartel de empreiteiras que decidiam os resultados das licitações e cobravam propinas de 3%, parte das quais destinadas a partidos políticos. A Petrobras tentou apresentar um balanço não auditado em 12 de dezembro, sem sucesso. A presidente da empresa, Graça Foster, reconheceu que levará anos para que todas as baixas relativas a corrupção sejam feitas. No comunicado divulgado nesta segunda, a empresa diz que está revisando seu planejamento para o ano de 2015, “implementando uma série de ações voltadas para a preservação do caixa, de forma a viabilizar seus investimentos sem a necessidade de efetuar novas captações”. Também cita que está melhorando seus controles internos e empenhada em divulgar as demonstrações contábeis do terceiro trimestre revisadas pela PwC assim que possível.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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