Este ano o Concurso Nacional de Marchinhas Carnavalescas, organizado pela Fundição Progresso, completa dez anos e pela primeira vez um amazonense está entre os finalistas. É Léo Santos, um funcionário do TRT (Tribunal Regional do Trabalho), que nas horas vagas compõe músicas, principalmente marchinhas.
Léo, hoje com 53 anos, lembra que aos 10, estreou na TV Ajuricaba, em 1971, no programa “Cirandinha da TV”, cantando. Desde lá não parou mais e, à medida que amadureceu, começou a compor. “E continuei cantando, em bares, aqui, em Belém, no Rio de Janeiro, MPB e, lógico, marchinhas”.
Apesar de o concurso da Fundição Progresso já estar em sua décima edição, Léo nunca se interessou em participar até que, em 2013, a vontade veio, mas ainda tão devagar que ele perdeu a inscrição. No ano passado, porém, o compositor foi mais rápido. “As inscrições começaram em setembro e eu me inscrevi logo. Num belo dia, não tão belo assim, havia levado minha esposa para fazer uma consulta médica quando recebi uma ligação da Fundição Progresso me informando que minha marchinha havia sido uma das dez escolhidas entre as 1.339 inscritas. Gritei e fiquei dando pulos, comemorando como se tivesse feito um gol. Ninguém entendeu nada até minha esposa explicar que minha marchinha havia sido selecionada no concurso, aí todo mundo me aplaudiu. Foi incrível. Mais incrível foi minha esposa ter ficado boa, com tanta felicidade”, riu.
A marchinha de Léo, tão ardentemente comemorada, tem um título bastante sugestivo e irreverente, característica de toda boa marchinha: “Mamãe eu quero ser, papai não deixa”. “Ela foi composta há dois anos, como sugestão do meu amigo Paulo Peruca. Compus e nesse tempo fui dando uma mexida aqui, outra ali, com a ajuda de meu tio Clé Clé, que é violonista”, explicou.
Só alegrias com a criação
“Mamãe eu quero ser, papai não deixa” concorreu com mais de 1.300 marchinhas de todo o Brasil e Léo torce para ser o segundo vencedor aqui do Norte (o concurso privilegia todas as regiões do país). Em 2013 a marchinha “Vovô Ampulheteiro”, de quatro compositores de Belém, foi a grande vencedora.
Desde que sua composição foi escolhida, Léo só vem tendo alegrias com sua criação. Já assinou um contrato com a Sony Music (as dez marchinhas foram gravadas em CD) e no sábado, 17, partiu para o Rio para participar, no domingo, do Baile Semifinal do Concurso de Marchinhas, a partir das 19 horas, na Parada da Lapa, com transmissão ao vivo pelo Fantástico, da TV Globo, com tudo pago: duas passagens, estadia mais ajuda de custo. “Ainda consegui mais duas passagens com a prefeitura de Manaus e quatro com o governo do Amazonas”, acrescentou.
Oito jurados fizeram a escolha das dez semifinalistas. Agora cinco selecionarão as três finalistas. Essas três finalistas ficarão em votação para os internautas até 1º de fevereiro, quando a grande vencedora será aclamada e os manauaras torcem para que seja a música do amazonense Léo Santos. Alfredo Del Penho, do Rio, gravou e irá defender “Mamãe eu quero ser, papai não deixa” nas duas ocasiões.
“A minha vontade era que todos os amazonenses estivessem comigo, lá no Rio, torcendo, mas como não é possível, se minha música for a escolhida entre as três, gostaria que todos votassem nela para trazermos esse título pra cá”, pediu.
“Mamãe eu quero ser, papai não deixa” já pode ser ouvida no YouTube e o CD comprado no site da Fundição Progresso: http://www.concursodemarchinhas.com.br/site/
10 anos de muito sucesso
O Concurso Nacional de Marchinhas Carnavalescas da Fundição Progresso surgiu em 2005, com o objetivo de resgatar a tradição dos antigos carnavais. Criado a partir de uma ideia do produtor cultural, Perfeito Fortuna, que sonhava com o ressurgimento dos antigos concursos musicais de marchinhas, este projeto valoriza a música carnavalesca, seus compositores e intérpretes, a brincadeira lúdica e a criação popular, tendo o folião como personagem principal da festa.
Desde então, o Concurso abre inscrições gratuitas em todo o país, premiando as melhores marchinhas com gravação de CD, troféus e dinheiro. Até hoje, já recebeu mais de seis mil marchinhas vindas de todos os estados brasileiros. Depois de inscritas, as músicas são avaliadas pelos jurados e escolhidas 10 músicas finalistas, que são gravadas em CD com distribuição nacional.
A cada edição, o Concurso homenageia um grande nome da música brasileira, como Braguinha, João Roberto Kelly, Carmen Miranda, Lamartine Babo, Chiquinha Gonzaga, Emilinha Borba e Mário Lago.
Além do Concurso, o projeto organiza grandes desfiles de rua com os melhores blocos da cidade do Rio de Janeiro; bailes de salão com a apresentação das 10 músicas finalistas; uma festa de lançamento para o CD; e o baile da grande final, apresentado ao vivo no programa Fantástico, da TV Globo, para que o público faça a escolha da marchinha vencedora.






