Para muitas pessoas fazer compras é uma atividade muito prazerosa, outros consideram uma terapia, mas você sabia que esse ato, quando realizado de forma descontrolada pode fazer com que esse prazer vire um vício? O cenário da nossa economia não é um dos melhores, mas mesmo assim existem pessoas que estão fora dessa realidade. E por outro lado percebe-se que as pessoas estão mais estressadas, ansiosas e a depressão tem ganhado destaque na mídia, mas o que isso tem a ver com o prazer virar vício? Tem tudo a ver! Fatores psicológicos e emocionais quando não estão bem organizados podem adoecer o indivíduo, e coisas simples, prazerosa como o ato de comprar pode virar doença. Estamos falando de um transtorno chamado Oniomania, que popularmente é conhecida como Compulsão por compras. O transtorno, caracterizado pelo descontrole dos impulsos, atinge cerca de 3% da população. Os oniomaníacos também conhecidos como shopaholics ou consumidores compulsivos, frequentemente não conseguem resistir à tentação de comprar.
Chegam a não pagar contas essenciais para gastar com supérfluos. A gratificação e a satisfação obtidas através da compra não os permitem avaliar a possibilidade de futuros prejuízos, esse ato de comprar adquire um caráter de urgência para aliviar um mal-estar interno. Para o consumidor compulsivo, o que lhe excita é o ato de comprar, e não o objeto comprado. Onde a pessoa “tem vontade de adquirir, mas não de ter”.
A oniomania vem sendo estudada desde 1915, mas só passou a ser conhecida mundialmente a partir de 1990, quando uma série de casos surgiu. O diagnóstico é demorado pois assim como todo dependente, os consumidores compulsivos demoram a admitir seu vício. A cultura consumista está tão enraizada no cotidiano das pessoas que não se percebe refém dela, e fazer compras é uma atitude bem vista e até incentivada pela sociedade.
O oniomaníaco sente a necessidade de preencher esse vazio que toma conta dele, mas é claro que existe um problema maior que precisa ser investigado, porque essa angústia aumenta a cada dia e esse vazio é contínuo. É importante clarificar que existem coisas que jamais podem ser compradas como por exemplo: Autoestima, felicidade e a paz de espírito não tem preço. Esse transtorno atinge mais as mulheres do que os homens, crianças também podem adquirir traços de um comprador compulsivo, é importante antes de qualquer diagnóstico avaliar em que contexto essa criança está inserida, como é o comportamento dos pais nesse mundo consumista, qual o papel do dinheiro nessa família, limites e saber dizer não é fundamental nesse processo.
É preciso ter em mente que um shopaholic ou oniomaníaco não é um indivíduo com falta de caráter ou pouca vergonha na cara, como alguns pensam. É alguém com sofrimento profundo, clamando por socorro inconscientemente e precisa de ajuda. O papel da família é extremamente importante, na maioria das vezes são eles que percebem que tem algo errado. Procurar um consultor, um especialista da área financeira é importante para ajudar a planejar melhor seu orçamento. E o acompanhamento psicológico é fundamental.
Quando o prazer de comprar vira vício
Em: 23 de fevereiro de 2015
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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