Se na semana passada a Bovespa conseguiu escapar do mau humor que abateu as Bolsas pelo mundo, ontem a história se inverteu. Enquanto os principais mercados acionários tiveram pequenas altas e baixas, a Bovespa registrou pesada queda de 4,34%, no segundo pior pregão do ano.
As desvalorizações sofridas pelas ações de Petrobras e Vale do Rio Doce arrastaram a Bolsa de Valores de São Paulo.
Para a Petrobras, cujas ações caíram 7,19% (ON) e 6,50% (PN), a decepção com seu balanço do terceiro trimestre foi decisiva para as perdas.
A depreciação do preço do barril de petróleo e de commodities metálicas no mercado internacional também teve reflexo ruim sobre os papéis de Petrobras e Vale. A ação preferencial “A’’ da Vale do Rio Doce, a segunda mais negociada do pregão, atrás apenas de Petrobras PN, sofreu queda de 4,89%. E a ON caiu 5,35%.
Juntas, as ações de Petrobras e Vale responderam por 49% dos R$ 6,65 bilhões girados no pregão de ontem.
“O resultado da Petrobras acabou tendo um impacto ruim sobre suas ações. Mas me parece que com a queda de ontem, já se ajustaram. Agora os investidores devem olhar para frente, pensar na produção do quarto trimestre e avaliar melhor as descobertas anunciadas na semana passada’’, disse Rodrigo Lopes, diretor gestor de renda variável da Banif Nitor Asset Management. O lucro da Petrobras recuou 22% no trimestre, ficando em R$ 5,5 bilhões, enquanto o mercado esperava algo em torno de R$ 7 bilhões.
As ações da Petrobras foram o grande destaque da última semana, com valorizações acumuladas de 17,45% (ON) e 14,27% (PN). As altas refletiram a empolgação dos investidores com o anúncio, feito na quinta-feira, da descoberta de megacampo de petróleo e gás na bacia de Santos.
Com a queda de ontem, a Bovespa desceu aos 61.526 pontos bem abaixo de seu recorde de 65.317 pontos no fim de outubro- e passou a ter perda de 5,80% no mês. No ano, a alta ainda é vigorosa, de 38,34%.
O fato de analistas do UBS terem trocado, em suas recomendações, o Brasil pelo México como “melhor opção regional’’ para se investir também colaborou para o desempenho negativo dos ativos brasileiros. Essas análises levam alguns investidores a mudar de posição.
No mercado de câmbio, o dólar, que tem tido dificuldades para se apreciar, teve valorização expressiva de 1,83% diante do real, indo a R$ 1,778.
Mesmo com o dia já tenso, o Banco Central realizou seu habitual leilão para comprar dólares das instituições financeiras. Por enquanto, essa tem sido a única medida adotada pelo BC para evitar que o dólar se desvalorize mais.
No ano, a moeda americana tem baixa acumulada de 16,80%. Hoje o ministro Guido Mantega (Fazenda) negou que o governo esteja preparando novas medidas destinadas ao mercado cambial.
O risco-país subia 2% no fim das operações, a 206 pontos.
Na Europa, a Bolsa de Londres subiu 0,52%; Frankfurt teve queda de 0,07%.
A Bolsa de Nova York terminou em baixa de 0,42%.
Os mercados abriram ontem em rota de baixa, repercutindo as perdas sentidas na Ásia. A Bolsa de Tóquio desabou 2,5%, e Hong Kong caiu 3,9%.







