Com um sorriso de amolecer corações e um gingado de hipnotizar multidões, a universitária Mara Souza empresta seu samba para a Corte do Carnaval de Manaus 2016. Eleita Mulata de Ouro deste ano, a passista do G.R.E.S A Grande Família conquistou os jurados do concurso já na primeira entrada durante o concurso. De biquíni vermelho discreto, ela arrancou aplausos ao encerrar sua apresentação fazendo charme com um leque. Ali, os cochichos já eram de que a novata – nunca vista em outras quadras – seria campeã.
Modesta, a estudante de Marketing conta que o título foi uma surpresa. “Essa foi a primeira vez que participei de um concurso e já entrei para a Corte!”, comemora. E, para matar musas, rainhas e todas as mortais de inveja, Mara confessa que não malha, não pratica atividades e nem é adepta de procedimentos estéticos. “A minha preparação foi limitada aos ensaios da bateria Pesadelo e minha maior dificuldade era dançar de salto alto”, lembra.
Para superar o medo das plataformas, a moradora do bairro São José II contou com o incentivo do presidente Luizinho e dos coordenadores da Ala Show da agremiação (Mauro e Fábio). “A Escola sempre me ajudou desde que me convidou para representa-la, num evento em dezembro de 2015. De lá, nunca me faltou aquela força para melhorar mais e mais”.
A irmã Elis Souza só tem 16 anos e foi quem abriu as portas para o samba em casa. “Eu comecei na bateria, tocando rocar por dois anos. Depois veio a Ala Show. Como eu sempre gostei de sambar e ficava admirando as rainhas, me tornei passista”, lembra a morena de cachos longos.
Extrovertida, Elis conta que sempre apoiou o envolvimento da irmã – quatro anos mais velha – com o carnaval. “Primeiro convidaram a Mara para concorrer ao título de Rainha de Bateria e ela recusou. Em seguida, a chamaram novamente e, de tanto insistirmos, ela acabou aceitando”, comemora.
E quem sempre ficou na torcida pelas meninas foi a mãe, Maura Lima. Fosse para dar sugestões nas coreografias ou lembra-las de sorrirem para os foliões, a ‘mãezona’ não perdia uma! “Quando eu quis sair da bateria para entrar na Ala Show, ela apoiou e quando soube do convite para a Mara, apoiou novamente”, garante Elis.
Como uma leoa, Maura – que é pai e mãe dos quatro filhos – (Ítalo, 25 anos; Elias, 21; Mara, 20 e Elis, 16) admite que morre de ciúmes de suas crias. “Eu ainda não me acostumei. Nem quando era só a Elis como passista e a Mara só me acompanhava. As pessoas comentavam, ficavam olhando…”, confessa, destacando que tenta estar presente para dar orientação. “Eu sempre vou apoiar, mas preciso estar ali para dizer o que é bom, o que é ruim”.
Entre os momentos mais marcantes, Maura lembra do dia em que a filha foi anunciada durante um evento na quadra d’A Grande Família que disputaria o título de Mulata de Ouro. “Eu chorei muito durante a apresentação dela porque só nós sabemos de nossas lutas”, filosofa.
Simplicidade
Mara, que sempre teve os dias calmos e divididos entre a faculdade e as obrigações da casa e da família, viu suas férias acadêmicas ficarem mais intensas do que as semanas de final de período. “É tudo muito novo e estou passando por um processo de adaptação. Na última semana, por exemplo, não aguentei e adoeci”, lamenta. Com visitas marcadas de segunda a segunda, a Corte do Carnaval de Manaus mantém uma agenda lotada que inclui as Escolas de Samba dos Grupos de Acesso e Especial.
“É preciso se alimentar bem e descansar, mas não tenho conseguido parar e o corpo reclama mesmo”, brinca. A correria sobrecai também para Maura, que está em – quase – todas. “A minha mãe só não me acompanha se realmente não tem jeito”, comenta sobre aquela que tem sido a maior patrocinadora desde o título.
Longe do glamour dos holofotes, Mara não ostenta e destaca a parceria com o estilista Luiz Lira, que tem assinado as produções da Mulata de Ouro. “De resto, eu que me viro. Faço minha própria maquiagem, arrumo meus cabelos e vou embora”, ironiza sem perder o bom humor.
Solteira, a jovem de 20 anos brinca que o assédio é dobrado – já que a Rainha do Carnal, Rayssa Santos, tem namorado. “Como o Hélio sempre está conosco, as cantadas são todas para mim. A Mulata é que sofre…”, diz gargalhando. Apesar disso, Mara reconhece que a reação masculina é natural, mas que todos são sempre muito respeitosos. “Eu sei impor limite”, garante.







