A rápida evolução tecnológica mudou, principalmente, o estilo de vida das pessoas nas últimas décadas. Hoje os dispositivos móveis fazem parte da nossa rotina, seja no modo de comprar, de se divertir, de estudar, de trabalhar e até mesmo de se comunicar. É só pensar que desde a hora que acordamos, já estamos interagindo com esse mundo na ponta dos dedos. Prova disso, é despertar com o alarme do celular como faz a administradora Marta Braga. Ela conta que só levanta da cama após conferir postagens nas redes sociais e mensagens SMS, além de checar e-mails do trabalho. “É uma forma de se manter informada sem sair de casa e nem precisar fazer ligações”, afirma.
Está aí uma das grandes transformações da vida digital: hoje mal falamos ao telefone com outras pessoas. Na verdade, usamos esta tecnologia para um novo comportamento no qual a ferramenta é apenas um canal que viabiliza a interação com o mundo. Atualmente, os dispositivos móveis possuem uma imensa capacidade de processamento e armazenamento de informação, o que possibilita seus usuários fazerem quaisquer tarefas em qualquer lugar que estejam disponíveis através de aplicativos de serviços como de banco, comida, farmácia, gás, táxi, saúde, correios, entre outros.
Do tablet ou do celular você consegue pagar, pedir ou resolver o que quiser sem perder tempo com engarrafamento ou fila. “Há anos uso esses app de serviços e vejo muitas facilidades, ainda mais, se for algo urgente”, garante Marta. Em contrapartida a administradora reconhece que tais facilidades também acabam afastando as pessoas, tornando-as mais caladas e alienadas.
É certo que a tecnologia mobile surgiu como forma de proporcionar comodidade, apresentando às pessoas possibilidades de comunicação que antes não existia, mas com o passar dos anos, os dispositivos móveis passaram a possuir outros tipos de funcionalidades e assim, deixaram de ser apenas comodidade para se tornar uma necessidade. Agora boa parte das pessoas buscam realizar mais atividades em menos tempo, o que faz da tecnologia móvel, um sucesso no mundo. E, claro, com tantas mudanças radicais na forma de como consumimos conteúdo e de como nos relacionamos uns com os outros, não há mais dúvidas ao afirmar que o comportamento humano virou mobile.
Mágico e encantador dentro do bolso
Segundo o cientista social Luiz Antônio Nascimento, há sim um conteúdo mágico e encantador nos mobiles por conta da possibilidade de se levar o escritório ou o mundo dentro do bolso. Entretanto, a questão central é o que estamos fazendo com tudo isto? “Se for verdade que podemos ter uma biblioteca em nossas mãos, por meio de um smartphone, também é verdade que temos uma crise nas universidades, por exemplo, onde professores reclamam que seus alunos não estão lendo nada. Igualmente, nunca se registrou tamanha ignorância média da população usuária da internet quanto a temas fundamentais em qualquer sociedade civilizada”, argumenta.
Para o cientista social, mais do que uma tendência, essa mudança de comportamento é um processo inexorável e faz parte do processo de desenvolvimento tecnológico. Segundo ele, não deveria interessar apenas a produção e comercialização dos conteúdos, processos e produtos, mas o uso coletivo e positivo/propositivo destas tecnologias. “O arco e flecha aumentou o sucesso de caça e reduziu o esforço necessário para garantir a alimentação dos membros de uma comunidade, o que permitiu, por exemplo, que um povo nômade, que migrava em busca de comida, pudesse fixar moradia em um local. O que vamos fazer com toda essa tecnologia, informação e mobilidade? “, questiona Nascimento, ao destacar que, a robótica, por exemplo, permitiu tirar o operário da boca de uma fornalha. Mas ainda hoje, há operários da indústria de aço, morrendo em decorrência de acidentes com fornos escaldantes. De acordo com Nascimento, a tecnologia é em síntese, todo conhecimento transformado em algo útil. Assim, um aplicativo e o arco e flecha são tecnologias úteis aos seus criadores.







