Versatilidade musical em 30 anos de carreira

Em: 13 de setembro de 2016
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Uma das vozes consagradas da Amazônia, Marcia Siqueira celebra 30 anos de carreira, marcada pela versatilidade musical. A cantora que passeia pelos ritmos desde pequena, começou sua trajetória no canto através do gênero gospel e chegou a conquistar prêmios em festivais locais. Mais tarde, passou a se apresentar em bares da capital amazonense, quando aos 14 anos, assumiu a música profissionalmente. “Tenho muito carinho por esse começo da minha história e nunca vou esquecer das minhas origens”, diz ela.
Nessas três décadas, a Rosa Vermelha passeou pela música folclórica, MPB, samba e outros ritmos, característica marcante dos shows e projetos de Marcia. “Não tenho restrição com ritmos, não tenho preconceito com gênero musical. A noite me ensinou a ter esse respeito com todos os estilos musicais”, afirma a cantora. Ela resume sua trajetória musical em duas palavras: gratidão e amor. “Sou muito grata as pessoas que fizeram e fazem parte da minha vida, além do amor que tenho pelo que faço. Sou privilegiada e tudo isso é resultado desses 30 anos de muito trabalho que é um ciclo que não se fecha, porque minha sina é cantar e trabalhar com a música”, conta Márcia.
No currículo da cantora amazonense constam prêmios em vários festivais de música, turnês em alguns Estados brasileiros, shows no exterior e participação no projeto Pixinguinha, além de musicais de sucesso. Entre tantos momentos marcantes, Márcia que também é envolvida com o boi-bumbá, destaca a participação no CD em comemoração aos 50 anos de carreira, de ninguém mais e ninguém menos que Maria Bethânia. “Nos conhecemos rapidamente em um show dela no Dulcilas e quando fui gravar, fez questão de me receber na porta do estúdio. Ela me encantou por ser uma mulher como eu, uma artista simples e carinhosa”, relembra.
Sobre os novos projetos, ela adianta que pretende continuar cantando e que muitas novidades devem ser lançadas futuramente. “Tem muita coisa bacana vindo, teremos shows no teatro para celebrar os 30 anos de carreira, que talvez vire algum projeto e até novembro será lançado o “Elas cantam samba”. Fora os shows paralelos e as viagens marcadas para o ano que vem”, revela.

Festa

Para iniciar as celebrações, Márcia Siqueira preparou um show especial no último sábado (10), com a participação de colegas que fizeram parte de sua história. Além de comemorar três décadas de carreira, a festa marcou o aniversário de 44 anos de vida da cantora amazonense. O local escolhido uma casa de shows na zona Oeste da capital.
“Foi uma festa bem bonita, onde pude dividir o palco com amigos e pessoas que gostam de mim. Fiquei nervosa pelo espetáculo, mas tudo saiu como queria e foi bonito, sai com a sensação de dever comprido”, conta Márcia. Além desse primeiro show, terão outros específicos a serem realizados no teatro, para reunir mais um leque de amigos da cantora de outras vertentes musicais.
A comemoração iniciou com James Rios, cantando samba. Ele foi seguido por Uendel Pinheiro e depois Márcia entrou no palco acompanhada de Cinara Nery, Fátima Silva e Lucilene Castro. O quarteto apresentou o show “Elas cantam samba”. Também estiveram por lá, o pagode de Wendell Pinheiro, a Batucada do Garantido e David Assayag. Márcia também se apresentou ao lado de Sebastião Júnior, Leonardo Castelo e P.A. Chaves, além dos dançarinos da Wankô Kaçaueré.

Trajetória, prêmios e música regional

Sua primeira apresentação em público foi aos 4 anos de idade, na “Noite dos Talentos” em Itacoatiara, interior do Estado onde foi revelação. Morou por 10 anos no Nordeste onde teve grande destaque como cantora recebendo o ‘Prêmio Meio Norte de Comunicação’. Em 1997, Márcia foi para o Rio de Janeiro com o projeto “Teresina Canta”, juntamente com outros artistas de destaque da cidade. Em 1997, Márcia volta à capital amazonense e passou a cantar em casas noturnas e um ano depois foi convidada pelo violonista e produtor Sidney Rezende para gravar a música “Amor Proibido”.
O primeiro trabalho lançado em 2001, intitulado “Canto de Caminho”, traz um som completamente regional com faixas retratando o cotidiano, lendas e crenças do amazônida. Nesse mesmo ano, levou cinco premiações no Festival da Canção de Itacoatiara (Fecani), interpretando a música “Dança”. Também trabalhando com a temática regional, a amazonense participou do CD “Natal na Floresta”, lançado em 2002, com a antiga formação do grupo “Raízes Caboclas”.
Em 2003, a cantora lançou o disco “Encontrar Você”, com músicas de amigos do Piauí e Amazonas. O CD “Nada a Declarar” (2008), traz canções do artista plástico Rui Machado e parceria com outros artistas locais.
Em 2005, percorreu todas as capitais do Nordeste no renomado “Projeto Pixinguinha” dividindo o palco com dois grandes artistas da Música Popular Brasileira, Joyce e Sérgio Santos.
Fixando-se de vez no mundo do Boi-Bumbá, a cantora apresentou no palco do Teatro Amazonas em 2012 o álbum “Ritual”, fazendo uma homenagem a compositores como Sidney Rezende, Emerson Maia, Pereira e Paulinho Dú Sagrado.
Márcia ainda realizou o show musical “A grande noite de Lady Day” interpretando canções de sucesso das décadas de 30, 40 e 50 imortalizadas na voz de Billie Holiday. Ela também participou do “Novo Canto” a convite da cantora Eliana Printes, no Rio de Janeiro e em 2004 apresentou o espetáculo “Nós, voz e Elis…”, em homenagem a eterna pimentinha, Elis Regina.
A amazonense também participou do CD em comemoração aos 50 anos de carreira de Maria Bethânia, em 2015. O projeto “Elas cantam samba” está entre os últimos apresentados ao público.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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