Comércio sem temporários e efetivações para festas

Em: 8 de novembro de 2016

Nem a chegada do pagamento do 13º salário e os R$ 2 bilhões que serão injetados na economia local, deram otimismo suficiente ao comércio e indústria amazonenses a buscar mão de obra temporária nesse fim de ano. O período que já teve média de cinco a seis mil contratados no comércio, em 2016, a muito custo chegará aos 2,5 mil temporários e são poucas as chances de efetivação. No PIM (Polo Industrial de Manaus), as previsões são ainda piores. Sem demandas do comércio, algumas linhas de produção trabalham a meia velocidade, o que ainda pode acarretar em demissões.

Serviços e turismo serão outros setores de poucas contratações, já que as parcelas do 13º salário estarão comprometidas com o pagamento de dívidas, explica o economista da Fecomércio-AM (Federação do Comércio do Amazonas), José Fernando Pereira da Silva. “Houve um aumento na inadimplência e as últimas pesquisas apontam que o 13° não deve ser aproveitado para a compra de presentes de Natal. A maioria dos consumidores pretende usá-lo para quitar suas dívidas e limpar o nome na praça”, ressalta o economista. Mesmo com os contratos de experiência podendo ser estendidos de 30 a 90 dias, são poucas as chances de efetivação de trabalhadores temporários no comércio. “Ser capacitado e atender bem, não garante a efetivação. Tudo vai depender do comportamento das vendas nesse período e não são boas as expectativas”, disse José Fernando.

No Amazonas Shopping, o mais tradicional centro de compras de Manaus, as contratações de temporários estão em compasso de espera, conta a presidente da Alasc (Associação de Lojistas do Amazonas Shopping) Mercedes Braz. “Houve um aumento considerável de candidatos egressos do PIM em busca de vagas de trabalho no shopping, mas as lojas estão em posição desfavorável para novas contratações, por conta das baixas vendas. Assim mesmo continuamos a expansão, confiantes em tempos melhores”, conclui.

Na indústria

Os temporários e terceirizados, que foram responsáveis em parte pelo bom número de empregos na indústria, também ficam no aguardo de novas demandas do comércio, conta o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas) Wilson Périco. “Tudo depende de produção e demanda e o mercado anda fraco. Creio não haver mais expectativas para o ano, mas esperamos que os números estáveis se mantenham. O fim de ano sempre representou boas vendas e novas contratações, mas as previsões de melhoras ficam para 2017”, disse o executivo.

Expectativas nacionais

Um Natal fraco, com um recuo de 2,4% em postos de trabalho temporários em relação a 2015, assim prevê a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turimos). O valor será puxado retração de 3,5% no faturamento do varejo, explica o economista da CNC, Fábio Bentes. “Voltamos ao patamar de 2012, quando foram contratados uma média de 135 mil temporários para cobrir o movimento de fim de ano”, analisou.

Outra análise da CNC aponta os segmentos de vestuário e hiper/supermercados como os maiores empregadores do período, com 62,4 mil e 28,9 mil vagas respectivamente. Os dois segmentos juntos representam 42% da força de trabalho do varejo e costumam responder, em média, por 60% das vendas natalinas, afirmou a CNC.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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