Crise afeta concessionárias de vendas de veículos em Manaus. Para quem sonha hoje em comprar seu carro novo ou seminovo precisa passar pela peneira do perfil histórico criado pelos bancos de créditos ou comprar o seu carro à vista. Esta afirmação foi dada pelo gerente de vendas da concessionária Martins Veículos Manaus, Mauro Pedroza, que, há cinco anos, diz que os bancos vêm retendo a venda dos veículos por conta da inadimplência dos clientes.
“Pela falta de pagamento das parcelas dos créditos concedidos pelos bancos financiadores, houve uma certa desconfiança nas agências ao não aprovarem as cartas de créditos. Antes, o cliente podia não dar entrada e conseguia comprar seu automóvel. Hoje, isso mudou, ele pode dar até 90% de entrada, mas se o perfil histórico dele estiver inadimplente com compras anteriores, ele não leva o carro para casa. E muitas vezes, o cliente não tem o valor total do veículo para pagar”, diz ele.
Segundo o gerente, todos os meses de 2016 obtiveram uma queda nas vendas de seus veículos, principalmente os seminovos, como os carros populares. “Eram 80 carros vendidos por mês. Agora, só nos últimos meses, vendemos 14 em agosto, 17 em setembro e oito em outubro. E com isso não estamos conseguindo nos pagar. Lastimável”.
Pedroza ressalta ainda que, com a aceleração na queda das vendas houve uma redução no quadro de funcionários da empresa também. “Nós tínhamos uma folha com 60 funcionários que, hoje, caiu para 12. Esperamos que esse quadro mude em 2017. Acreditamos em um novo horizonte e que este governo que entrou possa dar mais possibilidades para que o trabalhador de baixa renda possa ter seu carro novo”, disse.
Ainda em crise
Outra concessionária que encontrou dificuldades nas vendas por conta da crise do país, foi a Kodó Veículos. De acordo com um dos proprietários da loja, Diogo Augusto, a venda de carros novos é a que sofreu mais impacto com o problema gerado no país. “Isso se deu pelo aumento do imposto de 5% e também porque os bancos ficaram mais criteriosos em aprovar créditos de pessoas com restrições no mercado, ou seja, com dívidas, como SPC e Serasa”.
Augusto afirma ainda que, antes da crise a empresa chegava a vender aproximadamente 40 a 50 carros por mês, entre novos e seminovos, nacionais e importados. “Hoje, tivemos uma queda nas vendas de 20 carros por mês. Conseguindo apenas manter a venda razoável de carros seminovos”.
O empresário disse que a dica para os novos compradores é ainda manter o nome limpo no mercado e procurar os bancos que mais aprovam. “Hoje o banco aprova somente com 30% de entrada e em até 48 parcelas. E os que mais aprovam créditos são os bancos Santander e Bradesco”, salienta ele.
A concessionária ainda chega a vender um volume de carros novos de 30%, nos valores entre R$35 a R$60 mil; e de carros seminovos 70%, nos valores entre R$10 a R$ 100 mil.
Dado nacional
Quem confirma esta queda é a Fenabrave (Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores) que, em setembro deste ano, calculou um recuo de 11% na venda de veículos novos em todo Brasil.
As vendas de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus novos no Brasil recuaram 11,26% em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2015, segundo dados divulgados pela federação dos concessionários, a Fenabrave.
Foram emplacados 183,9 mil veículos novos, ante 181,4 mil em julho, o que representa uma leve alta de 1,37% na comparação com o mês imediatamente anterior.
Ainda tímida, esta é a 4ª alta consecutiva sobre o mês anterior, e o melhor resultado de 2016. Desde maio, as vendas apresentam pequena melhora mês a mês. Porém, a média de vendas por dia útil, um indicador chave da demanda do setor, recuou no comparativo entre agosto, que teve 23 dias úteis para emplacamentos, e julho, que teve 21. A média no período caiu de 8,6 mil para 8 mil licenciamentos, informou a agência Reuters.
O mercado brasileiro de modelos novos ainda acumula queda de 23% de janeiro a agosto, com 1,34 milhão de unidades comercializadas, ante 1,75 milhão no mesmo período do ano passado.
Onix lidera vendas, seguido do HB20
Com 12 mil unidades vendidas em agosto, o Chevrolet Onix se consolida na liderança do mercado brasileiro e deixa o Hyundai HB20 cada vez mais para trás no segundo lugar. A surpresa do mês foi o Renault Sandero na 5ª posição. Novidades no mercado, Mobi e Kicks apresentaram bons resultados.
Para financiar seu carro novo ou usado, nacional ou importado, sem burocracia e sem tarifas na contratação, o Banco do Brasil indica que o cliente negocie pelo menor preço à vista e então solicite o financiamento.
De acordo com o Banco, o valor financiado vai direto para a conta do vendedor e o cliente pode financiar até 100% do valor do automóvel e pagar em até 60 meses.
Outra dica do banco é quem já tem um financiamento de veículo com o BB também pode financiar o carro novo juntamente com o saldo devedor do financiamento anterior. Dependendo dos valores, pode sair com dinheiro no bolso.
E a vantagem é de que o cliente pode solicitar o financiamento 24 horas, sem tarifas na contratação, disponível em qualquer agência BB.
Marcas
Na briga para ver quem cai menos, a Chevrolet está levando a melhor, somando 16,7% das vendas de carros e comerciais leves de janeiro a agosto.
Em segundo lugar, a ex-líder Fiat tem agora 15,49%, mas tenta se recuperar com o crescimento do pequeno Mobi e da picape Toro. A Volkswagen é a terceira com 12,8% do mercado, seguida por Hyundai (9,89%), Toyota (9,17%), Ford (8,81%) e Renault (7,46%).







