Às 15h40 da tarde de ontem foi quando os primeiros ônibus começaram a deixar as garagens das empresas para circular na cidade de Manaus, após uma paralisação que começou das 4h da manhã prejudicando a vida de milhares de manauaras.
Os carros só foram para as ruas após o Tribunal Regional do Trabalho 11ª região determinar a prisão de toda a diretoria do Sindicato dos Rodoviários.
O juiz convocado do TRT da 11ª Região, Adilson Maciel Dantas, levou em consideração os pedidos do Sinetram, da Defensoria Pública do Estado do Amazonas, da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional AM, da Comissão de Defesa do Consumidor e do PROCON/AM, os quais solicitaram a expedição de mandado de prisão das lideranças sindicais responsáveis pela greve.
O magistrado declarou que “dezenas de milhares de trabalhadores, estudantes, cidadão, de um modo geral, estão sendo prejudicados por essa greve que já a reputei por ilegal, abusiva e arbitrária”.
Ainda no despacho, ele considera o movimento “tão absurdo, tão inconsequente, que posso ponderar sobre as reais motivações e sobre os interesses que estão inexoravelmente escondidos sob o manto dessa atitude sem precedentes na história de nossa sociedade amazonense”.
A decisão nominou os membros do sindicato obreiro, constando, inclusive, o endereço de cada um como: Givancir de Oliveira Silva, Josildo de Oliveria Silva, Elcio Campos Rêgo, João Batista Rodrigues do Nascimento, Josenildo de Oliveira e Silva e Jaildo de Oliveira Silva.
Este último é atualmente Vereador e encontra-se afastado da diretoria do sindicato para exercício de mandato eleitoral. Por este motivo, o magistrado Adilson Dantas tornou sem efeito a determinação de expedição de Mandado de Prisão contra o mesmo.
No final da tarde
Já o prefeito de Manaus, Arthur Neto, fez um apelo aos rodoviários e empresários do sistema de transporte coletivo que baixassem as armas e sentassem com ele para uma reunião. “O meu interesse é sempre o bem da população e o respeito à Justiça.
Não faço gosto na prisão de ninguém por causa de um movimento reivindicatório”, acrescentou.
A paralisação
Indignados e revoltados, os usuários do transporte coletivo e muitos empresários de Manaus se sentiram lesados por não terem sido avisados antecipadamente sobre a paralisação de 100% dos rodoviários do sistema de transporte coletivo, na manhã desta terça-feira, 17.
Durante a paralisação, cerca de 1.400 transportes coletivos deixando aproximadamente 400 mil trabalhadores em pé nas paradas desde as 4h da manhã.
A categoria havia avisado da paralisação da frota na última segunda feira (16), descumprindo a decisão da Justiça do Trabalho, que determinou que a greve não fosse realizada.
A reinvindicação
A categoria dos rodoviários exige o pagamento atrasados do dissídio coletivo de 2016 e o adicional de insalubridade. Em 2016, a categoria deveria ter recebido reajuste entre 8,5 e 9,5%.
Consequências nas diversas áreas
No bairro da Cachoeirinha, os pontos de ônibus e terminal 2 estavam vazios, alguns trabalhadores, estudantes universitários ainda esperavam às 10 horas da manhã os poucos micro-ônibus executivos na esperança de chegarem aos seus destinos.
Eron Soares, designer Gráfico, disse que a paralisação prejudicou muitos trabalhadores. “É um absurdo acordar cinco horas da manhã e chegar na parada não ter de ônibus, por conta da irresponsabilidade dos outros. Não tenho dinheiro para pagar taxi ou mototaxi”, disse o jovem indignado. Há mais de 20 anos como mototaxista na base do Terminal 2, Ronaldo de Castro Lima, disse que, mesmo com a falta de circulação do ônibus, a população não tinha dinheiro para utilizar seus serviços. “Então até nós ficamos prejudicados, porque as pessoas não têm dinheiro, nem para ir para o trabalho e nem voltar para suas casas. Ou voltavam de micro-ônibus ou ligavam para parentes irem buscá-las Com isso, até nós perdemos”, disse ele. Ainda na esperança de ir para a Ufam (Universitário Federal do Amazonas), Hector Benjamim, disse que a greve o fez perder aulas importantes do seu curso de informática. “Isso é uma falta de respeito com os estudantes e com os trabalhadores, que desejam vencer na vida. Eles brigam e quem paga é a população. Lmentável”, disse ele.
Terminal Central
Já no centro da cidade, quem mais sofreu com a paralização foram os comerciantes. Muitos deles tiveram que dispensar seus funcionários e outros, pegá-los em suas casas para o estabelecimento funcionar. Com isso, gerou uma despesa grande para o dono do comércio que viu a sua movimentação cair e amargar a queda irreparável de suas vendas.
Gerente do Supermercado Vitória, que fica ao lado do terminal do centro da cidade, Leonildo Pereira, afirmou que, com a paralisação, a empresa teve que desembolsar R$ 400 de condução, de mototaxi e lotação, para buscar todos os funcionários em suas casas, porque a maioria mora na zona Leste. “E também uma diminuição considerável de cliente. Isso gerou uma queda no faturamento de 30%. Porque funcionamos ao lado do terminal e a maioria das pessoas que pegam seu ônibus aqui na frente, realizam suas compras aqui com a gente”. Leonildo disse que não concorda com a paralisação, porque acredita que as empresas rodoviárias deveriam ter liberado pelo menos 20% ou 30% da frota. “A cidade não pode parar, porque muitos pais de famílias e, até mesmo, os micro empresários precisam do transporte público para se locomover e ganhar dinheiro”, ressalta o gerente.
Jesus Fonseca, proprietário da Drogaria Elisamar, há 35 anos no mercado disse que, “por conta da paralização, nosso movimento caiu”.






