Quando se fala em vegetariano, logo imagina-se alguém que só se alimenta de vegetais. Na realidade a palavra vegetariano se origina do latim, vegetus, que significa vigoroso, vivo, ou seja, o vegetariano é aquele que busca uma vida saudável através dos alimentos. Exclui de seu cardápio todo e qualquer alimento de origem animal não porque estes fariam mal à sua saúde, mas porque são contra qualquer forma de exploração e tratamento cruel de animais seja na alimentação, no vestuário ou sob qualquer outra forma. Os veganos vão além, excluindo de sua alimentação não só a carne, mas todos os derivados de animais como leite, ovos, ovas e mel.
Em Manaus a onda vegana cresce rapidamente. De 30 de março a 1° de abril, no Campos do Ifam acontece o Festival Ecológico e são esperados visitantes vindos de todo o país para se juntar aos veganos manauaras. O chef Alexandre Victor, responsável pelo buffet, já sabe o que vai servir. Detalhe: Alexandre não é vegano.
“Sou um personal chef e atendo a eventos temáticos, então me contrataram para fazer o cardápio do Festival”, disse. “O cardápio terá muitas frutas amazônicas, palmito, tucumã, pupunha, açaí, arroz integral, ervilhas, lentilhas, feijão. Vou fazer uma carne vegetal de jaca e também geleia desta fruta”, adiantou.
“E ainda vai ter um menu específico para os crudíveros, que também virão. Os crudíveros só comem alimentos crus tipo saladas, brotos, sucos”, acrescentou.
Durante o Festival Ecológico terão destaque os alimentos preparados à base de pancs (plantas alimentícias não convencionais). “Vou fazer risoto de urtiga, urtiga empanada e suco de urtiga. Na Amazônia temos dezenas de plantas comestíveis, como a erva de jabuti e a vitória régia. Esta última é quase toda comestível. Até as sementes dela viram pipoca. Já a minha especialidade é a geleia com pimenta feita de goiaba de anta, uma fruta que ‘faz lama’, no interior, e é excelente quando recebe um trato especial. Também teremos os frisantes naturais preparados com frutas amazônicas, que não deixam a desejar a nenhum frisante importado”, garantiu.
Contatos com Alexandre Victor: (92) 9 9202-4088.
Leitura para atrair adeptos
E quem quiser degustar uma deliciosa comida vegana, o caminho é o do Naturalize Bistrô Vegetariano, dos sócios Cristiane Pinajé, Jeferson Dias e Gisele Benzecry. “Abrimos o bistrô no final de novembro do ano passado, depois de participarmos de algumas feiras pela cidade e verificar que havia um público ávido por esse tipo de alimento”, explicou Gisele.
“Todo dia temos um prato diferente e nove opções de hambúrguer, este, normal, no pão, ou no prato, somente com a carne, molhos e saladas”, disse. Os três são veganos e eles próprios pesquisam e preparam os itens do bistrô. Entre os ingredientes, grãos de bico, cogumelos, palmitos, ervilhas, lentilhas, sal marinho e a riqueza dos frutos amazônicos. “Servimos uma pizza, todo domingo, sem glúten, sem lactose, com couve flor, linhaça e aveia”, contou.
E o carro-chefe? “É o hambúrguer regional preparado com massa de tucumã, macaxeira e jambu, acrescido de maionese de castanha. Até agora não vi ninguém reclamar desse hambúrguer”, riu.
Além das comidas, as bebidas, lógico, também são o mais natural possível: sucos de frutos amazônicos, cervejas artesanais e especiais (premium) e vinhos.
Uma curiosidade do Naturalize são os móveis feitos de palet e a literatura vegana disponibilizada para os clientes. “Temos interesse em que outras pessoas se tornem veganas, por isso colocamos os livros e revistas para, quem sabe, após lê-los aqui no nosso bistrô, algumas mudem seu modo de ver os animais”, falou.
O Naturalize Bistrô Vegetariano funciona de quarta-feira a domingo, das 18h às 23h, na rua Jaspe, 52, Conjunto Paulo Nery, N. Sra. das Graças. “Até a nossa entrega é natural. É feita de bicicleta. Não funcionamos para o almoço, mas se o cliente desejar, é só marcar o horário que deseja receber algum dos nossos produtos, e nós mandamos entregar”, adiantou.
Contatos: Gisele, (92) 9 8403-6830 e Cristiane, (92) 9 8179-4910.
Feliz no mundo vegano
“Este blog propõe-se a contar os cincos anos que levaram para que deixasse o consumo de alimentos de origem animal e me tornasse vegano. Em cada publicação, que chamarei de episódio, contarei parte dessa trajetória.
Cada episódio começará onde terminou o anterior, dando continuidade a história. A cada dez episódios uma temporada estará completa. Uma temporada corresponderá a um ano da minha experiência nesse Mundo Vegano!!!”.
Assim começa o blog ‘Luiz no mundo vegano’, feito por Luiz Nistal. “Um dia minha esposa Louise ficou doente e teve que mudar radicalmente sua alimentação. Ela pesquisou para saber qual alimentação seria melhor para ela então virou vegana. Por causa dela, também me tornei vegano há um ano, mas levou cinco anos para que a mudança fosse completa. É um processo e no começo não é fácil”, explicou.
O casal não só mudou sua alimentação como passou a se interessar pela filosofia vegana de não maltratar os animais. “Quando você descobre que um bezerro é afastado de sua mãe para que o leite dela vá alimentar você e depois a carne desses animais também vai alimentar você, fica bem mais fácil mudar”, falou.
Luiz resolver criar o blog primeiro para difundir o veganismo, depois para ajudar as pessoas que, como ele, possam sentir dificuldades no começo. “Por isso conto minhas experiências e as de minha esposa, para que sirvamos de exemplos”, ensinou.
Hoje o casal já está totalmente adaptado à nova alimentação preparada por eles mesmos. “Muita gente acha que ser vegano é comer somente folhas e saladas. Não é assim. Tem o arroz, o feijão, o grão de bico, as lentilhas, as castanhas. Lá em casa sempre tem castanhas de caju. Dá pra se preparar um cardápio variado e gostoso”, garantiu.
“E, sinceramente, gastamos menos no supermercado, feiras e mercados comprando produtos veganos”. Além do blog, Luiz também difunde suas idéias no Face e no Instagram. Tudo por uma boa causa, como escreveu em seu blog: porque estou feliz por ser um morador estrangeiro nesse mundo vegano.







