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Em: 28 de agosto de 2017

Ao comemorar uma imaginável vitória de Pirro o governo federal amarga a continuidade da recessão, fruto da queda do PIB no percentual de 0,24% no segundo trimestre, conforme o IBRE/FGV. E o IBGE sinaliza que a inflação em agosto está prevista para ser de 0,35%, influenciada pelo aumento do preço dos combustíveis em 5,96% e da energia elétrica em 4,27% o que mostra o descontrole existente aliado à falta de uma boa gestão. Mas sobreleva a expansão no setor de serviços de 2,41% e no comércio de 1,06 %, segmentos que salvaram o segundo trimestre conforme o Monitor da FGV. Como resultado destes aspectos a demanda no consumo familiar crescera 1,30%; o que é modesto se considerarmos a camada da população desempregada e dependente do bolsa família. E, mesmo diante dos dados acima e do trabalho informal, teremos sempre de levar em conta que as escassas oportunidades no mercado de trabalho formal tem sido distribuídas desigualmente, eis que nem todos os segmentos das indústrias estão contratando.

Por outro lado, o governo federal admite que não apurará R$ 13 bilhões alusivo à arrecadação oriunda do REFIS e resolve privatizar cerca de 57 entidades públicas, dentre elas a Eletrobras, Casa da Moeda, 14 aeroportos, 15 portos, rodovias federais, tendo o Conselho do PPI aprovado tais vendas. Alega serem deficitárias e diante da falta de recursos orçamentários não haveria outra saída. Assim, espera arrecadar cerca de R$ 44 bilhões. Será outro capítulo dentro dessa falsa democracia de interesses que mascara a eterna desfaçatez dos que se apresentam como os salvadores da pátria. E, ao criar um suposto desvio do foco que hoje é voltado para a “casa da barganha”, apenas confessam o rombo nas contas públicas, oriundo da má gestão dos governos petistas e mantido há um ano e seis meses. Dilma não só criara o rombo fiscal, mas usara da maquiagem, sendo cassada. Por isso, suas recentes manifestações revelam o padrão petista, onde não há limites para o cinismo, a mentira e o engodo.

No cenário político vivemos a era do escárnio que crescera com a apresentação do outro plano de ajuste fiscal e continua com as tentativas de aprovação das reformas: política e previdenciária. Quanto à primeira há um repúdio que decorre em parte da ignorância da população, resultando em benefício dos péssimos políticos que assim buscam obter vantagens que lhes assegurem a reeleição. Analisar as deficiências de forma racional e objetiva passa longe dos envolvidos. Mas um aspecto é certo: “A sociedade não aguenta mais ser ludibriada”, conforme relata Merval Pereira. E, se recuaram na imoral pretensão de ser criado um “fundo” é porque sentiram a reação dos brasileiros que não aprovam tal escárnio, tendo sido caracterizado como “um dinheiro que sai do tributo que pagamos para amanhã elegermos quem vai continuar na casa da barganha usufruindo e nos enganando”.

Há quem acredite em Papai Noel e há os que acreditam num futuro que não se vê porque não há horizonte, mas imediatismo; não há gestão e não há metas, existindo apenas medidas paliativas que não curam as causas dos males, mas postergam o fim de um governo indeciso que não diagnostica os defeitos, age prematuramente e alimenta a desinformação, face à alternância de propostas. Como resultado não temos dúvidas de que quanto menos a sociedade entender, mais livres estarão os praticantes para agirem em benefício próprio. O Brasil vive uma profunda angústia e NÓS um quadro de perplexidade. Pagamos um elevado preço para assistirmos uma falsa democracia de farras onde o fervor cívico é ignorado, face à desfaçatez dos que habitam o palco da hipocrisia.
Até quando abusarão de nossa paciência?

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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