A Philips lançou nesta quinta-feira uma linha de produtos para levar o sinal digital de TV aberta à casa do consumidor. Dentre os seis produtos lançados, um deles é o aparelho que adaptará o sinal digital aos televisores analógicos. O preço sugerido para o decodificador é de R$ 1.099, acima dos R$ 750, em média, estimados pelos fabricantes para o produto e dos R$ 250 defendidos pelo governo. Na promoção de lançamento, quem comprar o decodificador leva a antena e cabos especiais.
Em um primeiro momento, os artigos estarão disponíveis apenas nas lojas da Fnac, FastShop e Ponto Frio da Grande São Paulo. As primeiras transmissões digitais de televisão aberta estão marcadas para 2 de dezembro na região.
O diretor de Tecnologia da Philips na América Latina, Walter Duran, disse que a empresa optou por lançar o que há de mais sofisticado e destacou que a competição é “extremamente saudável”, já que força a concorrência a “ir atrás” de preços melhores. Na quarta-feira, a Positivo Informática lançou o conversor de TV digital mais barato do mercado, a R$ 499 e outro modelo a R$ 699.
Além do conversor, a Philips também apresentou dois novos televisores LCD com o set-top box integrado, que saem por R$ 7.999 o de 42 polegadas e R$ 12.999 o de 52 polegadas. Também fazem parte da linha duas antenas, uma interna, a R$ 39,90, e outra para uso externo, por R$ 109, além de um receptor de TV digital móvel para ser usado em computadores, e que custa R$ 370.
Duran reconheceu que os preços estão salgados. Disse que a demanda acabará por baratear os produtos, mas admite que sua expectativa para as vendas em São Paulo é “bastante conservadora”. Um dos fatores que contribuirá para a redução de preços, na ótica de Duran, é a fabricação dos artigos em solo brasileiro. Para não atrasar o lançamento, o primeiro lote foi importado da China. A produção passará à Zona Franca de Manaus no primeiro semestre de 2008.
Dessa forma, a empresa não pagará as taxas de importação nem a alíquota do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), que foi reduzida a zero em outubro para incentivar a produção de produtos destinados equipamentos de TV digital no país.
O diretor da Philips não arriscou dizer quando haverá escala suficiente para gerar uma queda expressiva dos produtos de TV digital. “É óbvio que os fabricantes querem reduzir os preços para avançar mais rápido neste mercado. Mas a velocidade de adoção (dos equipamentos) depende do consumidor”, ponderou.
Outro ponto que dificulta as projeções gera cautela, segundo Duran, é o cronograma de cobertura do sinal digital. “O problema não é a produção, temos capacidade de fabricar centenas de milhares de unidades. Mas não dá para fazer previsões de vendas sem saber onde e quando haverá disponibilidade de sinal.”
Sem software
O Ginga, software que permite interação com a TV digital brasileira, é outro fator de incerteza para os fabricantes. O programa ainda não está pronto para lançamento comercial, mas as empresas tiveram de colocar os decodificadores antes no mercado, sem embarcar a tecnologia, tendo em vista que as transmissões da TV digital aberta começam à meia-noite de 2 de dezembro. Segundo Duran, o Ginga deve ser lançado apenas no fim de 2008.
O descompasso nos prazos trará um grande problema ao consumidor que não abrir mão da interatividade: as caixas conversoras recém-colocadas no mercado não permitirão a instalação do programa. Assim, quem adquirir agora um decodificador mas futuramente fizer questão de ter o Ginga em sua TV digital, terá de comprar um novo decodificador depois.






