Os gerentes de pesquisa e avaliação institucional são uma espécie de cérebro das organizações de ciência e tecnologia. Essa importância é decorrente de exigências legais em muitos casos (como nas de Instituições de Ensino Superior) e de necessidades gerenciais, em todos eles. A legislação apenas tornou obrigatório o que os conhecimentos gerenciais tomam como fundamental, que é a necessidade de as organizações planejarem seus objetivos e descrevam as estratégias mais adequadas para eles. Como consequência, de tempos em tempos é preciso que esses objetivos e estratégias sejam avaliados, de maneira que a sua direção possa dizer se estão ou não no caminho certo, se aqueles objetivos foram ou não alcançados. É dessa forma que o gerente de pesquisa e avaliação institucional, muitas vezes chamado de presidente ou coordenador da Comissão Própria de Avaliação, se transforma em figura central para a organização. Este artigo tem como objetivo descrever a função desse gerente.
Avaliar é a terceira etapa do processo de controle. O processo e controle tem como objetivo garantir que os objetivos e metas pretendidos pela organização sejam alcançados. Esses objetivos e metas são desenhados na primeira etapa do processo gerencial, conhecido como planejamento, de maneira que um plano, o resultado do processo de planejamento, é um documento que diz onde a organização pretende chegar (objetivos e metas) e como vai chegar lá (estratégias). Como consequência, quando se fala em avaliação está-se referindo a uma determinação do quanto já se andou ou conseguiu alcançar em relação ao objetivo pretendido, o que falta andar ou conseguir, o que é possível melhorar e o que é necessário mudar. Nota-se, portanto, a essencialidade dessa função.
Isso significa que o avaliador e pesquisador institucional tem que ser um pesquisador. Melhor: tem que ser um cientista. O cientista é aquele indivíduo que não apenas tem conhecimentos científicos sobre determinada área do saber, mas também é capaz de inventar formas de utilizar os conhecimentos que produz. O que a experiência tem mostrado é que quando o avaliador institucional é um pesquisador sua preocupação quase que exclusiva é gerar explicações sobre a realidade organizacional, enquanto que o cientista como avaliador está focado no que é possível fazer para que o objetivo possa ser alcançado. O pesquisador visa a explicação; o cientista, a ação.
Dois conjuntos de ferramentas e métodos o gerente de pesquisa e avaliação institucional precisa dominar. Primeiro, as ferramentas e métodos de pesquisa científica. É preciso ter maestria na execução de cada etapa do método científico, primando pela validade dos procedimentos e dos dados, assim como suas significâncias, de maneira que os resultados que gerar possam ser considerados confiáveis, evitando que a direção da instituição tome decisões desvinculadas da realidade. Segundo, ferramentas e métodos gerenciais. Essas ferramentas e métodos são utilizados para manusear os conhecimentos gerados pela pesquisa, de maneira que se possa orientar com adequação os dirigentes institucionais acerca das decisões mais adequadas para alcançar os objetivos e metas pretendidos.
Mas o que o avaliador institucional precisa avaliar? Simples: os objetivos e estratégias adotadas pela instituição. Diferente do que muitos dirigentes imaginam, a avaliação não está preocupada se o professor chega ou não atrasado, se a didática dele é boa ou não, e coisas parecidas, como se o governo e o ambiente de atuação da organização estivesse interessado no desempenho do corpo docente da instituição. O que governo e ambiente querem saber é se a organização alcança ou não seus objetivos e se o faz de forma eficiente, da melhor maneira possível (se utiliza as estratégias mais adequadas para tal).
O que o governo e o ambiente querem saber, assim como toda a comunidade interna (professores, técnicos e alunos), é se a instituição está formando os profissionais mais adequados para lidar com as necessidades das organizações que são suas clientes, se as pesquisas que ela realiza realmente têm utilidade, se os produtos e serviços que disponibiliza ajuda a suprir as necessidades ambientais, se a instituição usa de maneira eficiente o dinheiro que arrecada, se presta contas com idoneidade e assim por diante. O que a avaliação institucional tem que focar é a Gestão da Instituição, e não o trabalho do professor na sala de aula.
Como o que tem que ser avaliado é o desempenho gerencial, os dois grandes segmentos de públicos que precisa ser consultado são o interno e o externo. A avaliação sob a ótica do público interno dá sinalizações da eficiência (uso racional de recursos) e eficácia (se alcança ou não os seus objetivos formais) gerencial, enquanto a avaliação sob a ótica da comunidade externa torna precisa a sua importância para o ambiente. O resultado dessas duas avaliações precisa estar ajustado, consistente, vinculado, de maneira que um seja a explicação do outro, uma vez que não há sucesso interno sem que haja o seu correspondente externo: os profissionais formados só serão considerados os melhores da região se as instituições e organizações que compõem essa região forem consultadas e confirmarem essa primazia dos profissionais. Se não, os resultados não serão confiáveis.
O processo de controle é parte fundamental do sucesso gerencial. É por isso que nos planos organizacionais (PDI, PPC, planos orçamentários, fluxos de caixa etc.) precisa ter uma memória tanto dos padrões dos objetivos e metas a serem alcançados, assim como de sua forma de mensuração, que é o detalhamento de como cada variável-chave vai ser medida ou acompanhado o seu comportamento. É só quando esses dois requisitos forem cumpridos (padronização e mensuração) que a sistemática de avaliação pode ser executada, uma vez que avaliar é exatamente comparar o que foi feito ou medido com aquele padrão previamente definido e que deve estar constante nos planos institucionais. Sem atentar para isso, tudo o mais que as CPAs da vida fizerem será pura perda de tempo e de recursos.







