A notícia do rebaixamento da nota de crédito do Brasil, de BB para BB-, pela agência internacional de risco S&P (Standard&Poor’s), gerou incerteza no futuro da economia do país. Para economistas, a meta e postura econômica de presidenciáveis será de suma importância para o futuro dos investimentos. A nota enraizou o país na categoria de especulação e baixa classificação, e deixou três indicadores abaixo da categoria grau de investimento com qualidade média.
O atraso na aprovação das medidas fiscais para equilibrar as contas públicas do Brasil, foi uma das principais justificativas da agência para o resultado. Segundo o economista, Antônio Costa Gadelha, este fato comprova que a instabilidade política que o país atravessa, precisa ser corrigida e os planos de meta econômica por parte de presidenciáveis precisam ser elaborados.
“Uma nota de rebaixamento devido à questão política não é bom, porque ninguém vai querer investir em um país que gera desconfiança. Para se ter uma mudança no panorama econômico é preciso que os presidenciáveis mostrem uma postura de metas econômicas e parem com campanha de política ultrapassada que só fala de escândalo e corrupção. Isso assusta os investidores e o povo está cansado disso”, disse ele.
Um dos líderes do governo na Câmara, Beto Mansur (PRB-SP), reconheceu que a decisão da agência é ruim e afasta investidores internacionais no país. “Se a gente tiver a cabeça no lugar, vamos aprovar a reforma no dia 19 de fevereiro exatamente para que outras agências não nos rebaixem também”, disse.
O presidente da Câmara posicionou-se frente ao resultado e afirmou que as denúncias do procurador Rodrigo Janot foram pontos importantes que pesaram na decisão de rebaixamento da nota. Já o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, não reagiu bem ao resultado da agência, e justificou que o recuo da nota foi influenciado por questões técnicas e não políticas.
De acordo com o cientista político, Breno Messias, a declaração de Henrique Meirelles não passou de uma fala conveniente de um pré-candidato que credita o crescimento da economia à sua atuação frente ao ministério da Fazenda. “Há muita correlação entre os dois fenômenos, pois o Estado brasileiro ainda é muito intervencionista às decisões do mercado, por isso, precisam passar pelo crivo dos agentes políticos. Em um cenário de incerteza, posto que teremos muitos candidatos, com plataformas de política econômica bem heterodoxas. É realista que os grandes investidores tenham suas preferências políticas’, disse.
Breno afirmou que entre o bloco econômico do BRICS (Brasil Rússia, Índia, China e África do Sul), o Brasil é o que mais revela ameaça aos investidores internacionais. E destacou, que a capacidade do governo em aprovar reformas, indica o seu compromisso com a redução do Estado na economia, a abertura para a iniciativa privada e melhoria nas condições dos contratos.
“Os investidores, em geral, sabem que o Brasil passou praticamente oitos anos sem reformas significativas, o que penalizou a posição do Brasil nos rankings financeiros internacionais. Em suma, as reformas melhoram o ambiente de negócios e sinalizam que o governo tem compromisso com a abertura da economia do país. Entre os países dos BRICS, por exemplo, o Brasil é o mais hostil aos negócios internacionais”, explicou.
Reflexos na Indústria
Gadelha explicou que apesar da imagem negativa diante dos investidores internacionais, o rebaixamento da nota em nada influenciou o comportamento do mercado financeiro, que agiu de forma diferente com indicadores ainda de confiança. Mas ressaltou, que toda e qualquer decisão tomada pelo governo pode refletir no desempenho das atividades do PIM (Polo Industrial de Manaus).







