O coronel Alfredo Menezes assume a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) em clima de tensão devido ao imbróglio político com parte da bancada do Amazonas no Congresso Nacional, insatisfeita com a sua nomeação para o cargo pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL).
Ontem mesmo, o militar assinou o termo de posse como novo titular da autarquia, oficializando o início de sua gestão. Ele dará hoje uma entrevista coletiva à imprensa para falar de seus planos como superintendente em substituição a Appio Tolentino.
Alfredo Menezes anunciou que já está com pelo menos 90% de sua equipe definida para o primeiro e segundo escalão. Ontem, ele esteve reunido com superintendentes adjuntos e técnicos da Suframa para conhecer as últimas ações da autarquia. E ainda esteve reunido com o prefeito de Manaus, Arthur Neto (PSDB), e com o governador Wilson Lima (PSL). Os três traçaram planos para ações em parceria com o município e o Estado.
O protesto contra a indicação de Menezes para a Suframa ocorre nos bastidores em Brasília, tanto no Senado quanto na Câmara. Logo após a publicação de sua nomeação no DOU (Diário Oficial da União) na semana passada, parte da bancada amazonense se mobilizou para tentar convencer Bolsonaro a anular a indicação em favor do ex-deputado Pauderney Avelino (DEM), o preferido de alguns senadores e deputados para comandar a autarquia. Até o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM/RJ), e o ministro-chefe da Casa Civil, Ônix Lorenzoni, chegaram a levar ao presidente a insatisfação dos parlamentares amazonenses pela indicação do coronel. Mas a ala militar saiu em defesa do novo superintendente, barrando a pressão de Ônix e Maia, que são correligionários de Pauderney.
Se parte da bancada não vê com bons olhos a indicação de Alfredo Menezes para superintendente, por outro lado ele agrada à classe empresarial do PIM (Polo Industrial de Manaus). Segundo o presidente em exercício da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Nelson Azevedo, a gestão de Alfredo Menezes na superintendência da Suframa é uma grande oportunidade para resgatar a importância histórica e financeira que teve a autarquia no passado. “Ele traz a disciplina militar e a seriedade para promover o desenvolvimento do Amazonas e possibilitar ainda a captação de novos investimentos e novas indústrias”, avalia Azevedo.
Para estudiosos do modelo Zona Franca, outro aspecto positivo é que o coronel Alfredo Menezes é um técnico de renome sem qualquer vínculo político com partidos ou agremiações, o que impossibilitará ingerência nas decisões da Suframa. Essa questão ficou muito bem clara durante um ato promovido por servidores da autarquia que denunciaram o tráfico de influência de parlamentares que decidem as ações da superintendência na sua relação com a indústria.
Segundo o Sindfarma (Sindicato dos Servidores da Suframa), a superintendência vive um processo de “abandono e falência política, administrativa e moral”. E denuncia ainda que “hoje a autarquia é comandada por pessoas indicadas por três deputados federais e um senador, parte delas sem preparo técnico equivalente à importância dos cargos que ocupam”. E é nessa questão que aparece a figura do novo superintendente Alfredo Menezes, que pode quebrar toda essa influência ou ingerência, sem privilegiar segmentos políticos e industriais nas decisões que cabe à Suframa, na avaliação de analistas econômicos.







