A crise que se instalou no país desde 2015, aliada à mudança de hábitos da chamada geração dos millennials, que busca integrar moradia com trabalho e lazer, está abrindo um leque de possibilidades no mercado de locação de imóveis para construtoras e incorporadoras imobiliárias.
No Centro-sul do país, já há empresas abrindo startups para lançar empreendimentos multiuso, com a oferta de serviços integrados de coworking, lazer e saúde, entre outros, para atender esse cliente. Em alguns casos, há a opção de o locatário negociar a unidade habitacional com mais facilidade e menos burocracia, mais adiante.
Essa dinâmica de mercado é alimentada, de um lado, pela fatia de consumidores brasileiros que adiou indefinidamente o sonho da casa própria, em virtude das incertezas econômicas. De outro, por uma fatia expressiva desse mesmo público – em especial os mais jovens – que se mostra mais avessa à aquisição de imóveis, independentemente da condição financeira.
“Estamos atentos às pesquisas que confirmam a tendência de comportamento desse novo consumidor, que procura conforto e não quer imobilizar capital, mesmo dispondo de recursos. Tudo depende de maturação, mas a tendência não vai tardar a chegar por aqui, porque o cliente de Manaus gosta de novidades”, ressaltou o diretor da Manny Imóveis, Rodrigo Viegas.
“É um caminho mundial. Temos uma geração de consumidores mais dinâmica, que está desligada das raízes, mais próxima do contexto mundial do que o local. No Amazonas, as coisas chegam um pouco mais tarde, mas a tendência é o mercado se profissionalizar”, emendou o presidente da Ademi (Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas), Albano Máximo Neto.
O presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Frank Souza, concorda que a cultura do compartilhamento é uma tendência que chegou à área de habitação, com a oferta de centros de convivência e serviços comunitários. O dirigente avalia, contudo, que a mudança não vai chegar tão cedo à capital amazonense.
“Algumas construtoras com estoque maior de imóveis estão trabalhando dessa forma, com a opção de compra mais adiante. Mas, não tenho notícia de nenhuma que esteja construindo para alugar e acho que vai demorar para isso acontecer. Diferente de São Paulo, que tem um mercado financeiro pujante e atividades diversificadas, Manaus tem sua economia muito centrada no PIM [Polo Industrial de Manaus]”, opinou.
Mercado aquecido
Algumas empresas do Amazonas, no entanto, já se movimentam para atender esse segmento, confiantes na retomada da demanda. “Com a queda dos juros e o aquecimento da venda dos imóveis, a tendência é que os preços dos imóveis voltem a subir e o mercado de locação se torna mais vantajoso”, destacou o presidente da Ademi.
A Manny Imóveis é uma delas. Com dez anos de operações em Manaus – e quase cinco sob a marca atual, a empresa trabalha com intermediação de aluguel de imóveis, preferencialmente na zona Centro-Sul da cidade.
Sua carteira de locações registrou alta de 37% na comparação de janeiro de 2019 com igual mês do ano passado, mas a expectativa é chegar a dezembro com patamar maior de crescimento.
Confiante no mercado – e no diferencial competitivo de trabalhar há dois anos, com assinatura digital, para reduzir a burocracia dos processos –, a empresa pretende atuar na oferta própria de imóveis para essa finalidade, a partir do segundo semestre. “Está nos nossos planos, mas ainda dependemos de algumas decisões para a concretização”, finalizou Viegas, sem mencionar detalhes da operação.







