Números divulgados pela OMS (Organização Mundial de Saúde), em 2017, mostravam que 322 milhões de pessoas sofriam de depressão no planeta. Os números se referiam ao ano de 2015 e apresentavam estarrecedor crescimento de 18,4% num período de dez anos.
No Brasil, ainda de acordo com a OMS, o número de depressivos era de 11,5 milhões de pessoas (5,8% da população) o que deixava o país em primeiro lugar na América Latina, e em segundo, nas Américas, atrás apenas dos Estados Unidos com 5,9% de sua população sofrendo do problema.
Diante do problema, há poucas semanas os Estados Unidos liberaram a esketamina em spray, remédio que cessaria em poucas horas os efeitos da depressão crônica, quando o indivíduo já está à beira do suicídio. Psiquiatras no mundo inteiro comemoraram o feito, outros nem tanto.
Mas, o que é a depressão e por que esse transtorno mental aumenta assustadoramente em praticamente todos os lugares do planeta?
“Muitas pessoas associam a depressão apenas com a tristeza. A tristeza por si só é um sentimento universal, que todos os seres humanos sentem. Mas a tristeza acompanhada de alguns sintomas como isolamento social e perda de interesse pelas atividades anteriores com a duração mínima de duas semanas, já pode ser um dos indícios de uma suposta característica de um possível quadro depressivo. Fatores como hereditariedade, abuso de substâncias químicas, desemprego, fim de relacionamentos, entre vários outros fatores, podem ser os responsáveis por desencadear a depressão”, explicou o psicólogo Thiago Filgueiras de Freitas, em Manaus.
Depressão atinge qualquer idade
E se engana quem pensa que a depressão acomete apenas adultos. “A maioria dos casos ocorre em indivíduos entre 20 e 40 anos de idade. Mas é importante dizer que a doença pode se iniciar em qualquer faixa etária, da infância à terceira idade. Sabemos de crianças com apenas quatro anos de idade que a desenvolveram”, alertou.
E as mulheres estão mais predispostas ao problema. “Um dos fatores é a alteração hormonal. Para cada homem com o problema, há duas mulheres na mesma situação. As mulheres também são mais predispostas a distúrbios de humor, como as distimias, estados de alteração de humor que corresponderiam basicamente a uma depressão leve”, citou.
A depressão pode ser classificada de acordo com a sua causa e duração, assim como os sintomas que o paciente apresenta, em nove tipos distintos: depressão pós-parto, major, bipolar, reativa, distimia, atípica, distúrbio afetivo sazonal, síndrome pré-menstrual, e psicótica.
“Quanto ao tratamento, o objetivo inicial é a remissão (melhora completa do conjunto de sintomatologia). O recomendado é que seja alinhado o tratamento com medicamento e psicoterapia, para que o indivíduo tenha uma perspectiva mais concreta de melhoras”, disse. “De imediato procure ajuda profissional, no primeiro momento, o psiquiatra para avaliar, diagnosticar a doença e prescrever o medicamento adequado. Em seguida, o psicólogo, para este iniciar a psicoterapia”, completou.
Ainda é precoce a utilização
No início de março, depois de 32 anos de aprovação do Prozac, também para depressão, a FDA (Food and Drug Administration), dos Estados Unidos, liberou o Spravato, spray indicado para pacientes com depressão severa, que não tenham respondido bem a ao menos dois outros tratamentos. A esketamina, princípio ativo do Spravato, não atua na mesma área do cérebro dos demais antidepressivos e tem ação rápida no paciente.
“Para mim é precoce a utilização desse remédio, que já vem sendo estudado há alguns anos nos Estados Unidos”, falou a psiquiatra Daniele Fernandes, em Manaus.
Nos Estados Unidos o remédio terá um sistema de distribuição restrito e só poderá ser administrado em um centro médico certificado, onde um profissional de saúde deverá monitorar o paciente, pois seus efeitos colaterais são pesados, como a sensação de estar fora do corpo, tontura e náuseas.
“Apesar de os resultados de melhoras serem algo muito bom, ainda não se têm dados sobre o que acontecerá com o paciente mais para frente. Tem que haver nível de regulação muito mais alto do que existe atualmente. O remédio pode ser seguro a curto prazo, mas e a longo prazo? Será que o desejo suicida retornará? Por quanto tempo ele pode ser usado? Pode causar dependência? Ou causar danos cerebrais?”, questionou Daniele.
“Com certeza o remédio é uma boa alternativa para casos mais graves, que não tenham obtido respostas a outros tratamentos. Mas benefícios e riscos devem ser avaliados com muita cautela”, avaliou a doutora.
No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) já está submetendo o remédio à análises e pesquisas estão sendo realizadas em pacientes para aprovar, ou não, sua comercialização. Aí surgirá outro problema. Nos Estados Unidos, cada sessão de aplicação do remédio custa entre 590 e 885 dólares, ou, R$ 2,2 a R$ 3,3, no Brasil.






